Um lugar de formação
Luisa Carvalho
A criação da Nova Política da Juventude (NPJ) e o convite a participar chegaram para mim como um cavalo selvagem que passa uma vez só na sua frente e, diante dele, você tem duas saídas: ou monta ou o deixa passar. O cavalo selvagem é uma metáfora para dizer de uma oportunidade inédita na vida, dessas que são raras de acontecer, e exigem uma decisão do sujeito. O meu aceite veio logo em seguida, acompanhado de medo e angústia, os quais me servem de bússola em momentos desafiadores, como esse.
Uma das poucas coisas que vieram prontas para os participantes da nova política foi o cartel da NPJ, o qual já estava montado com os participantes selecionados previamente, portanto não foi um cartel formado a partir da escolha de cada um. Esse cartel tinha uma proposta de estudar os textos sobre a formação do analista e a política da escola, mas nada mais fora decidido de antemão, como textos ou encontros e, desde o início já era notório que o funcionamento daquele grupo que havia sido estabelecido como um cartel não estava garantido que funcionaria como um.
Desse modo, o funcionamento do cartel da NPJ dependia do desejo de cada um de estudar com aqueles colegas, e eu pude verificar isso na experiência. Tive a sorte de encontrar colegas interessados em me acompanhar nesse período de dois anos, onde tive um espaço aberto para levar questões e estudar sobre os pilares da psicanálise e da escola, além de textos que estavam na atualidade do dia da Associação Mundial de Psicanálise, como os temas dos congressos e jornadas que aconteceram nesse período.
A experiência nesse cartel me aproximou da escola, foi um trabalho que acontecia com uma certa rotina, de produção de perguntas e elaboração de textos. Essa foi a minha base da experiência da NPJ, foi orientador no sentido de que não se tem um mestre, não há nada que garanta e que diga o que é um analista, mas há formação do analista. Concluo este período com a conquista de ter me aproximado da escola, um ganho que segue comigo.
