A causa é jovem
Camila Popadiuk (EBP/AMP)
“E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer”[1]
No início do cartel da Nova Política da Juventude (NPJ), do qual participei,[2] surgiu uma questão: a implementação da NPJ seria uma demanda da Escola? Em caso afirmativo, como respondê-la sem que, ao mesmo tempo, se produza uma nova categoria – a de “membro jovem” – que acabaria cristalizando justamente aquilo que se pretende manter vivo e em movimento, se partirmos da hipótese de que “os jovens têm uma função para as Escolas e [estas], por sua vez, buscam estar à altura daquilo que promovem como desejo”?[3]
A pergunta “o que é um analista?” esteve constantemente presente ao longo do cartel, conduzindo à constatação de que não há uma essência do analista nem uma identidade pré-estabelecida, uma vez que um analista é o resultado de uma análise. Há, portanto, analistas, mas não “o” analista como definição universal. Daí emerge um paradoxo: como formar um analista se não sabemos o que é um analista? A este respeito, Miller indica que a formação do analista consiste na “imersão do sujeito em um ambiente agitado pela falta de saber […]. Para constituir um tal ambiente, é preciso o número, a pluralidade de publicações, a multiplicação de trocas (caso contrário, o sujeito fica restrito a uma estreita sugestão, ou vegeta num clube de veteranos)”.[4] Nesta perspectiva, a posição analisante – marcada pelo não saber – torna-se paradigmática: formar um analista é, precisamente, sustentar essa posição de ignorância.
Em consequência, outras questões se colocaram: o que é o novo? Apenas os jovens o portam? Aquilo que se nomeia como jovem reduz-se a uma faixa etária? O cartel, como dispositivo de formação, pode ser também lugar de emergência do novo? Se a Escola é responsável pelo avanço da psicanálise, o que significa, então, o chamado ao jovem? Zelaya indica que “na direção da cura, trata-se de localizar o objeto a causa de desejo para separar e manter à distância o ideal do objeto que causa esse desejo. É nessa função que se nomeia que a causa é jovem, pois ela mantém à distância uma autoridade de mestre, identificada ao saber”;[5] a causa conserva vivo o espanto diante daquilo que causa horror. Desse modo, o jovem e a emergência do novo articulam-se a uma posição subjetiva aberta à surpresa, capaz de se dividir. Passados pouco mais de dois anos de sua implementação, podemos afirmar que a NPJ introduziu um elemento de surpresa e de novidade na comunidade analítica?
