O cartel, o laço e a Escola
Paula Nocquet
Desde o início, o cartel da Nova Política da Juventude distinguiu-se de outros cartéis que havia participado até então, primeiramente pelo modo como foi proposto: com tema e colegas designados. Não se tratava de um cartel constituído a partir de quatro se escolhem, ainda que o Mais-um fosse decidido nas reuniões. Nesse ponto inicial já se localizava um consentimento a um trabalho inédito.
Minha questão inscrita, em torno da transferência de trabalho remetia, em última instância, à pergunta sobre como habitar a Escola, implicava o coletivo e o singular. O que se seguiu de um detalhe, durante a escrita de um produto para as jornadas de cartéis, quis descartar ou deixar ao final como sem importância uma parte do texto. Uma vez compartilhado com os colegas, essa resultou ser dos pontos principais que o texto transmitia — de tal modo que, a partir da sugestão do Mais-um, fez parte do título.
Não são dos restos que a psicanálise se ocupa? Esses que encontramos na clínica, na análise e em nossa formação. A comunidade analítica pode funcionar como um Outro que nos devolve nossa mensagem de maneira invertida, a questão é nos permitir ler essa mensagem e nos deixarmos interpretar.
Assim, encontrei algo de resposta entre o coletivo e o singular ao localizar um trabalho de Escola cujo produto propiciou laços que ainda ecoam. Implicou reconhecer que, ali onde não há um modelo ou instrução sobre como habitar a Escola, não ceder diante desse real da formação, talvez seja para se arriscar e inventar algo, uma experiência que não é didática.
O trabalho no cartel foi parceiro de um desejo de saber e acompanhou, de algum modo, elaborações que ocorriam dentro e fora dele. De conversações marcantes, trocas de experiência na Escola, e dos diferentes modos de leitura, com efeitos que perduram. Finalmente, um dos efeitos de escritura que se pode esperar é aquele que se produz em si mesmo. Escrever um produto, mas também o momento em que algo se escreve no sujeito. Uma forma de laço Escola, a condição de colocar ali aquilo que é próprio[1].
