O vivo dos Escritos
Flávia Cêra (EBP/AMP)
Diretora de Bibliotecas
Faz 60 anos que os Escritos de Lacan foram lançados. Sua atualidade se mantém viva a cada leitura que encontra seus pontos luminosos em um enlace dinâmico de clínica, política e episteme. Sua complexidade também se mantém. Não há tecnologia ou esgotamento que esvaziem o vigor de textos que estavam dispostos a colocar em ato de leitura a abertura de questões. Muitas, certamente, foram respondidas. Não há como negar a passagem do tempo, as mudanças na cultura e na subjetividade. No entanto, é a porção do incompreendido que resta como um motor de mistério e interesse. Talvez esteja aí a proposta de Lacan de que seus Escritos não eram para serem compreendidos, mas para serem lidos. E que para serem lidos era preciso dar algo de si. O que isso quer dizer? Ou ainda, o que isso implica na própria experiência de análise e nas relações da psicanálise com a cidade, o social, os outros saberes? Esse é o desafio que lançamos para que possamos celebrar os Escritos, sua atualidade, seu rigor e sua vivacidade.
