“O que essa estrutura da cadeia significante revela é a possibilidade que eu tenho, justamente na medida em que sua língua me é comum com outros sujeitos, isto é, em que essa língua existe, de me servir dela para expressar algo completamente diferente do que ela diz”[1].
Como um analista pode se servir de sua escuta para fazer ressoar algo que escape ao que poderia ser compreendido racionalmente, díspar do sentido, ou da significação? Tal frase de “A instância da letra no inconsciente ou a razão de Freud” marca o meu interesse pelas polifonias, homofonias, equívocos da linguagem, novos usos e efeitos que um significante pode causar. Entre o som e o sentido, como podemos tocar o real do gozo? “Não gosto de palavra acostumada”[2], disse o poeta.
Letícia Rosa (Participante da EBP Seção LO)
