Cidade vazia*

Por Marie-Hélène Brousse Esse segundo texto se impõe como prolongamento do precedente (1), constituindo uma espécie de crônica dos tempos do coronavírus que se concluiu no vazio. Saí às ruas da cidade em que habito para fazer algumas compras munida de minha autorização para sair. Um sentimento, que se pode qualificar de “bizarro”, invadiu-me, então.…

Tempos estranhos

Por Maria Josefina Sota Fuentes Na rua, é preciso ler o que nunca foi escrito. Hofmannsthal Com a passagem de Lacan pelo deserto da Sibéria, a “planície desolada de qualquer vegetação”[1], ele conclui: “nada é mais distinto do vazio escavado pela escritura do que o semblante. O primeiro é o godê sempre pronto a…

Luz, câmera, ação!

Por Cleyton Andrade “Ei! Shshshs! Silêncio! O filme já começou!”. Olhamos para o lado e não vemos mais a sala de cinema cheia como antes. Então, como o filme poderia já ter começado? Um sentimento infamiliar. Depois de alguns momentos uma luz… Claro! Streaming. Deve ser de uma dessas plataformas. Contudo não está passando Contágio…

Sessão on-line?*

Por Esthela Solano-Suarez Estamos todos confinados. Por enquanto, isso se conjuga no presente, não sem uma espécie de estranha atemporalidade. SARS-COV-2, vírus responsável pela doença COVID-19, é dotado de poder letal sobre os corpos dos falantes. Dessa forma, pela infecção, o estatuto de seu ser é suscetível de mudar, o que os torna, então, “seres…

A eclosão do Outro rompido, o toque de recolher e o analista como parceiro

Por Fernanda Otoni Brisset Desde que o toque de recolher sacudiu minha rotina, há alguns dias, me perguntei como prosseguir com a prática analítica se o convívio social, de forma presencial, fora suspendido como resposta à nova desordem mundial em função da pandemia da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus. A “distância” entre os corpos…

Isolados com o infamiliar

Por Niraldo de Oliveira Santos De uma cidade a história, depressa muda mais que um coração infiel[1]. Fomos todos tomados pelas consequências devastadoras do covid-19 e, mesmo para aqueles não acometidos pelo vírus, seus “efeitos colaterais” foram se alastrando insidiosamente em nossas vidas. Como uma nuvem negra vinda do oriente, as cidades tornaram-se desertas ou…

O triunfo do real

Por Luis Francisco E. Camargo Lacan adicionou à série das três profissões impossíveis de Freud, educar, curar e governar[1], a posição do cientista: “há uma coisa que Freud não falou, porque era tabu para ele, a saber, a posição do cientista. É igualmente uma posição impossível”[2]. Diante da consciência de uma impossibilidade, o cientista se…