LABIRINTOS

JOÃO, EUGÈNE, JOSÉ e JACQUES e outras pandemias

Por Simone Vieira e Regina Cheli Prati – Comissão amurados
Fonte:Estadão
Fonte:Estadão

O tema do nosso último boletim O Amor no tempo das cóleras e outras Pandemias trouxe à lembrança quatro personalidades geniais e suas poéticas, que mostram que estamos sujeitos a diferentes contágios pandêmicos além da terrível COVID-19 que há quase dois anos nos impõe distanciamentos, perdas materiais, perda das liberdades e principalmente perdas de vidas. Cada um destes gênios, nos apresenta com seu estilo, um cenário onde o real insiste, resiste, persiste, trazendo em seu bojo nefastas consequências sociais, políticas, econômicas e pessoais.

O primeiro deles é João, João Guimarães Rosa, com o conto Sarapalha, que encontramos no livro Sagarana1, que em 1938 teve sua primeira publicação. Em Sarapalha “Quem foi s’embora foram os moradores: os primeiros para o cemitério, os outros por aí a fora, por esse mundo de Deus…”2. Toda região virou uma cidade fantasma por conta de um mosquito “…que era o mosquito que punha um bichinho amaldiçoado no sangue da gente…Ninguém não acreditou…”3. Porém restou em uma fazenda perto da Sarapalha, ardendo da maldita sezão, da maldita maleita, o Primo Argemiro e o Primo Ribeiro. Eles decidem esperar a morte juntos, numa manifestação de amor fraterno e uma confiança incondicional e inabalável, inabalável até que uma revelaçãode Primo Argemiro: “Eu… eu também gostei dela, Primo…”4, dá outro rumo às coisas.

O segundo deles é Eugène, Eugène Ionesco, com a peça de teatro O Rinoceronte5, escrita em 1959. O argumento dessa peça veio do relato do escritor francês Denis de Rougemont, que descreveu sua surpresa diante de uma manifestação popular nazista, quando o povo diante do Führer entra numa contagiosa histeria. Na cidade fictícia da peça, onde nada acontece, de repente, um rinoceronte enche de poeira a rua, e daí a cidade e a sociedade se transformam. O Rinoceronte “é uma crítica a todo pensamento totalitário, seja ele de direita ou de esquerda, que possa esmagar todos os outros, e que gere um sistema onde não haja mais lugar para qualquer tipo de oposição”6.

O terceiro deles é José, José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura com o romance Ensaio sobre a cegueira7, de1995. O livro narra a história de uma epidemia de cegueira branca que se espalha por uma cidade fictícia, causando um desmoronamento na vida das pessoas e abalando as estruturas sociais. A cegueira que se espalha indiscriminadamente promove, no seu início, o confinamento dos cegos, assim como outros arranjos sociais. Podemos propor e ler aí, uma variação de um velho ditado popular: “em terra de novos cegos, quem nunca enxergou é rei”. A história vai tensionando mais e mais, a ponto de a personagem principal chegar a uma impactante conclusão: “…já está morto o que ainda é vivo”8.

O quarto deles é Jacques, Jacques-Alain Miller, que em seu curso Un esfuerzo de Poesía9, retrata o que diz Lacan: “El psicoanálisis también es una epidemia10.  “Lo que él llama epidemia, por certo, es entonces un discurso en la medida en que se esparce, en la medida en que atrae a seres hablantes, en que los ordena según las funciones que él dispone, los atrae por médio de sus significantes de sus efectos de verdad, instaura un nuevo régimen de la palabra, un nuevo régimen de relación com el cuerpo, una nueva relación con el goce. Y, en efecto, Lacan dice que el psicoanálisis se inscribe, sobre todo, como una nueva epidemia discursiva”11. 

Sendo assim JOÃO, EUGÈNE, JOSÉ E JACQUES ao mesmo tempo em que nos apresentam um lado desconfortante do humano e dos desencontros nas relações humanas, nos brindam com suas letras e seus significantes, com os quais cada leitor pode saber fazer outra coisa.

 Referências:
  1. Rosa, J. G. Sagarana. Ed. José Olympio: Rio de Janeiro,1982.
  2. Ibid. p. 118.
  3. Ibid. p. 124.
  4. Ibid. p. 134.
  5. Ionesco, E. O Rinoceronte. Ed. Abril Cultural: São Paulo, 1976.
  6. Ibid. p. XVIII.
  7. Saramago, J. Ensaio Sobre A Cegueira. Ed. Companhia das Letras: São Paulo, 2007.
  8. Ibid. p. 189.
  9. Miller, J-A. Um esfuerzo de poesía. Ed. Paidós: Buenos Aires, 2016.
  10. Ibid. p. 20.
  11. Ibid. p. 21.

Bicho de sete cabeças

Por Rosangela Ribeiro – Comissão amurados
Imagem: Ercole e L'idra, Antonio del Pollaiolo. Fonte: wikipedia
Imagem: Ercole e L’idra, Antonio del Pollaiolo. Fonte: wikipedia

“Não tem dó no peito / Não tem jeito / Não tem coração que esqueça / Não tem ninguém que mereça / Não tem pé não tem cabeça / Não dá pé não é direito / Não foi nada eu não fiz nada disso / E você fez um bicho de sete cabeças / Bicho de sete cabeças.”

Esses versos de Geraldo Azevedo, cantados por Zeca Baleiro, acompanham as cenas finais do filme Bicho de sete cabeças, baseado na obra Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno. Tais cenas acompanham surtos, dores, abandonos, gritos e a mais pura dor da negligência dentro de um hospital psiquiátrico. O núcleo da narrativa conta-nos a vida de Neto, um adolescente da periferia, que passa seu tempo entre as salas de aula e os frequentes encontros com amigos para fumar maconha e pichar muros. De família humilde, Neto, interpretado eximiamente por Rodrigo Santoro, é confinado para o tratamento psiquiátrico a fim de se recuperar dos seus vícios, mas é, diante das contingências de um sistema de saúde psiquiátrico sucateado, submetido a erros diagnósticos e a tratamentos torturantes. O filme e suas alegorias não deixam de evocar a figura mítica da Hidra de Lerna: monstro com corpo de dragão, normalmente descrito com uma ou sete cabeças, cujo um hálito pestilento destruía a colheita, os rebanhos e os homens. Destruía, enfim, a vida! Caberia a Hércules livrar-se da Hidra.

Alegoricamente, o trabalho hercúleo de diversas instituições e saberes, dentre eles, a psicanálise, é questionar e suplantar formas desumanas de condutas com pacientes comumente denominados “psiquiátricos”, termo incapaz de lidar com a amplitude de pacientes psicóticos, toxicômanos, dentre outros. As discussões emanam a cada dia, mas estamos longe de dizer que a reforma psiquiátrica alcançou seus objetivos, apesar de já haver um crescimento de centros como CAPS, núcleos de apoio e discussões. Sobre esse tema, a gama de leituras é profícua. Sugere-se, aqui, não apenas assistir ao filme, mas também a leitura de outro livro que mais anima a discussão. Trata-se de O holocausto brasileiro, de Daniela Arbex, sobre o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, conhecido apenas por Colônia, onde ocorreu uma das maiores barbáries da história do Brasil.

Site do filme: https://www.youtube.com/watch?v=F6Yky54edpo
Cap. 1 do livro O holocausto brasileiro: https://www.intrinseca.com.br/upload/livros/1%C2%BACAP_HolocaustoBrasileiro.pdf

Filmes

Curadoria e montagem: Simone Vieira, Regina Cheli Prati e Waléria Paixão – Comissão Boletim     

Sexo, Drogas com e sem Rock’n Roll – nesse boletim trazemos um catálogo de filmes inspirado neste tema.

Em 1911, o cine clubista italiano Ricciotto Canudo responsável pela denominação do cinema como Sétima Arte escreveu:“Por ser uma arte do espaço e do tempo, o Cinema seria a grande síntese de todas, a sétima arte, pois parte de uma imagem projetada em uma superfície, como a pintura ou a fotografia, mas envolve o movimento, relacionando-se ao ritmo, ao tempo e, com isso, envolve o espectador em sua trama”1.

Os embaraços causados por habitarmos a linguagem, e, por conseguinte, sermos marcados pela relação sexual que não existe abre para alguns, como saída, o enlaçamento com o Outro das drogas, com o Outro da violência e com o Outro corpo.

Selecionamos e sugerimos algumas obras nas quais vemos o puro gozo de corpos em vários momentos da nossa civilização.

Esperamos que gostem de nossas indicações.


1.      Por que o Cinema é conhecido como a “sétima arte”? In: https://www.sescsp.org.br. Acesso em 14/08/2021.

A favorita (2018 -Yórgos Lánthimos)

Por Rosangela Ribeiro – Comissão de Boletim
O Outro não existe, mas a paixão odienta existe. Eric Laurentt
O Outro não existe, mas a paixão odienta existe.
Eric Laurent

Em A favorita, do cineasta grego Yórgos Lánthimos, veem-se, em meio a um pântano de intrigas, modulações do ódio. Uma hierarquia absoluta, em que a rainha era autoridade suprema e mandava tanto no palácio quanto na política do país. O filme mostra que o ódio e o amor podem chegar ao sem limites. Aquele, sabe-se, aparece a cada vez que o real se irrompe. O transbordamento desse afeto opera níveis insuspeitos de crueldade, independentemente do tempo e do espaço. Lacan recorre a Santo Agostinho para ilustrar os desdobramentos do ódio: “Vi com meus olhos e conheci bem uma criancinha tomada pelo ciúme: ainda não falava e já contemplava, pálida e com uma expressão amarga, seu irmão de leite”[2]. Seja em seu vulcanismo seja em seus cálculos detalhadamente traçados, o ódio traz consigo o desejo do sujeito pelo objeto do outro. Insaciável, “o ódio não se satisfaz com o desaparecimento do adversário. […] O ódio aspira a seu rebaixamento, seja a sua desorientação, o seu desvio, o seu delírio, a sua negação detalhada, a sua subversão. É nisso que o ódio, como o amor, é uma carreira sem limite” [3]A favorita revela, pela arte cinematográfica, algumas artimanhas criadas pelo homem movido por esse afeto.


Primo Levi

Por Simone Vieira – Comissão de Boletim
Foto: Agência O Globo
Foto: Agência O Globo

É isto um homem? (1)

“Meu nome é 174.517; fomos batizados, levaremos até a morte essa marca tatuada no braço esquerdo.” (LEVI, 1988, p.33).

Esse é Primo Levi, (1919/1987), um italiano de Turin. Ele é um sobrevivente. Químico de formação foi deportado para Auschwitz em 1944, aos 24 anos. Passou “pouco tempo” no campo de concentração, mas tempo suficiente para que o peso dessa nefasta experiência fizesse com que ele escrevesse esse texto, na intenção de libertar-se do que foi vivido e de torná-lo um alerta para as gerações futuras.

No decorrer do livro, uma pergunta se impõe: É possível libertarmo-nos de uma experiência em que “dos 650 judeus deportados com ele, sobraram apenas três?”

A partir desse traumático encontro com o Real, Primo Levi nos entrega a desconcertante constatação: “os personagens dessas páginas não são homens. A humanidade ficou sufocada, sob a ofensa padecida ou infligida a outros (…)” (LEVI, 1988, p.180), estando o homem de um lado ou do outro do campo de concentração. Talvez daí venha a impactante pergunta que dá nome a esse livro: é isso um homem? A leitura desse livro nos convoca então a questionarmo-nos sobre o que podemos dizer dos campos de concentração da atualidade.

Meu profundo respeito a todos aqueles marcados nos corpos e na vida pelo ódio.

Tem coisas que não podemos deixar esquecer.

A escrita do trauma

“…Lacan avançará alguns passos em relação à tese da sujeição ao gozo do Outro e suas relações com a segregação: quando não se sabe o que é o gozo, e quando não é possível normalizá-lo ou subjugá-lo, o caminho mais corriqueiro ao qual se recorre é o de rejeitá-lo” (MACEDO, 2014, p.86).

Foto: @editorarocco
Foto: @editorarocco

Primo Levi, a escrita do trauma (2) é um minucioso e delicado trabalho que Lucíola Freitas de Macêdo (EBP/AMP) faz da obra Primo Levi, é isso um homem? de Primo Levi.

Esta pesquisa se torna refinada com a chave de leitura utilizada por Lucíola, a noção de extimidade.

 “O inassimilável é traumático e se repete. Este núcleo será designado por Miller, na esteira de Lacan, como o núcleo êxtimo: Freud chamou esse núcleo de mais além do princípio de prazer; Lacan chamou de a Coisa, depois de objeto a, e posteriormente de pedaço de real e acontecimento de corpo.” (MACEDO, 2014, p.238-239).

Essa chave aplicada ao texto de Levi, abre uma outra perspectiva de interpretação. O que poderia se tornar mais um relato vitimizado, torna-se um testemunho. Testemunho de uma experiência traumática, onde o impossível de dizer se presentifica.

O testemunho de extimidade, concerne à posição do sujeito em sua relação ao inconsciente, decorrente de uma implicação ética e frente ao real traumático […], e de sua decisão de testemunhar”.(MACEDO, 2014, p.191).

Esse é o cerne do que Lucíola persegue nas letras de Levi, uma vez que o “testemunho poderá manter vivo o sobrevivente” (MACEDO, 2014, p.314).

Referências:
  • Levi, Primo. É isso um homem? Rio de Janeiro: Editora Rocco Ltda, 1988.
  • Macêdo, Lucíola Freitas de. PRIMO LEVI, a escrita do trauma. Rio de Janeiro: Subversos, 2014.

Uma solução impossível

Por André Pacheco – Comissão de Boletim

Em um país marcado pela polarização, pela aridez no solo da comunicação e pela banalização da violência elevada à categoria de espetáculo, uma artista de 130 quilos é surpreendida e brutalmente agredida com uma barra de ferro por um homem que se considera uma “pessoa de bem”, tudo se passa às vistas das centenas de espectadores que assistiam em pleno silêncio. A motivação? O ódio entre dois irmãos, Raquel e Alexandre.

Lacan indica que “se o amor aspira ao desenvolvimento do ser do outro, o ódio quer o contrário, ou seja, sua humilhação, sua derrota, seu desvio, seu delírio, sua negação detalhada, sua subversão” (1). É o que se pode observar na relação das personagens fortemente caracterizada por ressentimentos do passado, que parecem impulsionados pelo contexto hostil em que vive uma nação. De um lado, a performancer faz do seu corpo o objeto de sua arte a fim de conquistar o direito de ser uma mulher obesa, chegando ao limite entre a arte e a pornografia; do outro, um empresário, dono de uma rede de academias fitness, sócio de um pastor neopentecostal, distingue-se por seu envolvimento com esquemas ilícitos e ligações com a milícia. A intolerância mútua torna impossível a tal solução de dois Estados e uma trégua: a aniquilação do outro, sua exclusão da série,torna-se patente, trazendo à baila os efeitos do mecanismo da Austossung primordial (2).

Ao longo do romance de Michel Laub, lê-se a denúncia de um gozo com o ódio. Nos diversos relatos de violência, a constante é a dignidade perdida. Embora haja a tentativa de dar voz, a palavra falha e a dignidade segue fora da cena, apontando para a imaginarização do real. Não há socialização do gozo como efeito sublimatório (3), mas a obscenidade do gozo de uma sociedade odiosa. A obra pode ser lida como um agudo indicativo da relevância do analista cidadão e sua aposta na salvação pelos dejetos, insígnia de sua causa.

Referências:
  • LACAN, J. “O seminário livro 1: os escritos técnicos de Freud”. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2009, p. 360
  • FREUD, S. “A negação”. Autêntica, Belo Horizonte, 2016, p. 309
  • MILLER, J-A. “A salvação pelos dejetos”. In: Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2011, p. 229
[1] LAURENT, Eric. Disruption de la jouissance dans les folies sous transfert” Conf. XI. Congresso da AMP, Barcelona, abril/2018.
[2] LACAN, J. “A agressividade em psicanálise”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 117.
[3] LACAN, J. O seminário, livro I, os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1983, p.316.

A Princesa de Clèves

Por Simone Souza Vieira – Comissão de Boletim

“… a Princesa de Clèves se dedica a preservar o sentido do desejo, o desejo enquanto sentido, ao instalar-se em um amor cortês perpetuamente – o que significa que reconhece o amor enquanto significação vazia, e que se dedica a encarnar a ausência de relação sexual na ausência da relação carnal” (MILLER, 2013, p. 179).

Miller no El Ultimíssimo Lacan aborda o sentido do desejo a partir do amor cortês. Ele toma um clássico da literatura para localizar um exemplo magistral sobre esse tema.

Trata-se do livro A Princesa de Clèves, considerado o primeiro romance moderno da literatura francesa.

Escrito por Madame de Lafayette no séc. XVII, o livro traz como pano de fundo uma questão:“o que faz balançar o coração de uma mulher?”

Numa trama recheada de sobressaltos sobre a vida amorosa da princesa de Clèves, encontramos a protagonista dividida entre manter-se num casamento com o príncipe de Clèves, a quem não amava, ou se entregar ao amor correspondido pelo senhor de Nemours, belo cavalheiro, que ela conhece na corte.

A trama então acontece numa corte onde todos os personagens mentem, escamoteiam e dissimulam, mas a princesa de Clèves não. Ela pretende ser uma representante da ética, da boa educação, da sinceridade e da honestidade. Cabe questionar “que lugar a virtude ocupa no mundo corrompido da corte?”

Nesse cenário desenrola-se, o drama amoroso da princesa de Clèves, que tem como desfecho sua decisão de viver a plenitude de um amor cortês.

Por se tratar de uma obra clássica, torna-se também uma obra atemporal, e até mesmo atual, vide sua adaptação moderna para o cinema – A Carta, filme de 1999, do cineasta português Manoel de Oliveira.

Tanto no livro do séc. XVI quanto no filme do séc. XXI encontramos personagens que mantém invariáveis os imbróglios das relações humanas e, por conseguinte, da não relação sexual.

A partir disso, como poderíamos pensar o que Miller nos trouxe sobre o amor cortês enquanto aquilo que preserva o sentido do desejo na contemporaneidade?

Vale a pena conferir A Princesa de Clèves.


Miller, J-A. El ultimíssimo Lacan. Buenos Aires: Paidos, 2013.
Lafayette, M-M P. de la Vergne. A princesa de Clèves/ Madame de Lafayette. Rio de Janeiro: Record, 2004.

 

A carta (Manoel de Oliveira, 1999)

Por Regina Cheli Prati – Comissão de Boletim

Manoel de Oliveira, cineasta português, trouxe para o cinema uma adaptação atualizada do romance A princesa de Clèves (1678) de Madame de La Fayette. Neste filme Catherine de Chartres é uma jovem linda que sofreu uma desilusão amorosa e que se casa sem amar com Louis de Clèves um médico atencioso que a ama imensamente. Após o casamento, Catherine se apaixona pelo cantor Pedro Abrunhosa e é correspondida. Educada para serforte e para não macular sua reputação, Catherine se mantem distante de Pedro, mas confessa seu amor a uma amiga. Desobrigada da fidelidade pela morte do marido, o âmago da história se dá pela maneira que a personagem escolhe para explicar à amiga a decisão que tomou. Isso nos remete ao que disse Stevens (2007) a respeito do amor cortês como a invenção de um laço além do erótico que representa o impossível do laço sexual com o objeto,ou seja, a relação sexual que não existe. O filme recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1999.

Assista em:

https://www.youtube.com/watch?v=6sxeIcZj6jY&t=2504s


Referência
Stevens, Alexandre. Amor e Nome-Do-Pai. In: Opção Lacaniana, n° 50, dezembro de 2007, São Paulo, p. 48-51.
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