Impressões da V Jornada da Seção Nordeste
Romero Ouriques[1]
Os ecos dos movimentos dos trabalhos, das reuniões preparatórias da V Jornada vinham reverberando como uma boa nova. Um bem dizer se anunciava, iria ecoar pelo Recife e ressoar para todo o Nordeste e mais além, a Jornada sobre o Trauma. Para tanto, os trabalhos com ênfase na clínica trouxeram ao debate questões de importância epistêmica que contribuíram como troca para o fazer de cada um.
O texto base que orientou a jornada foi o Estatuto do Trauma, Miller diz[2]. não haver dúvidas de que a abordagem de Lacan, que ele nos fez ver em Freud, consiste, ao final, e não de imediato, em tratar o trauma como um trouma – é um neologismo dele – o qual implica não em combinar o trauma sexual com a diacronia, mas sim com a sincronia.
Quando, no fim do seu ensino, ele chega a formular que Não há relação sexual, a última versão sobre trauma em seu ensino, tema do próximo congresso da AMP. Tal axioma nos aponta para a impossibilidade de uma completude, sinalizando um (des)encontro, em que o gozo marca o corpo, como excesso.
Foi por essa via que o conferencista Marcus André Vieira nos falou sobre o trauma e o subdividiu em quatro tipos, nomeando-os da seguinte forma: Trauma Estrutural, Trauma Bifocal, Trauma Vulcânico e por último, o Trauma Tsunami, ao qual relacionou ao real sem lei, um gozo deslocalizado que é consequência da materialidade da língua no corpo, lalíngua.
O trauma surge como enxurrada devastadora, invadindo a planície do sujeito e escavando sulcos na terra do real – marcas brutas, sem mediação do Outro, vividas como retalhos desconexos. Esses sulcos são fragmentos irredutíveis do real, experiências que resistem à simbolização, deixando hiatos impossíveis de serem simbolizados. Nesse contexto, a intervenção do analista visaria fazer dos retalhos uma colcha, como nos diz Vieira.
Por fim, a Jornada, como movimento de corpos vivificados, nos tocou reverberando as transmissões ocorridas como uma carta que chega ao seu destino. Como afirma Lacan, em Lituraterra[3]: a carta chegou ao seu destino depois de – com os desvios no caminho – o conto e sua conta se terem sustentados, sem precisar recorrer ao seu conteúdo.
