Ecos da XXIX Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Bahia
Rogério Barros (EBP/AMP)
Nos dias 21 e 22 de novembro de 2025, com o tema Entrada em análise: as entrevistas preliminares, EBP-BA realizou a sua Jornada anual, abordando o momento inaugural da experiência analítica, uma das chaves de entrada para o trabalho com o inconsciente. No horizonte da época, interrogar a práxis analítica concerne, especialmente, ao trabalho político de revisitar os fundamentos da formação dos analistas no século XXI, sem diluir-se no mercado das psicoterapias, dando relevo, especialmente à psicanálise pura e suas extensões possíveis. Com a presença viva e absolutamente clínica da psicanalista convidada, Esthela Solano-Suarez, AME da Associação Mundial de Psicanálise, reverberaram conversações diversas sobre o início de um processo analítico, em diálogo com os desafios atuais da clínica e da civilização.
A Jornada foi organizada entre Jornada Clínica, com a apresentação de casos em contextos de psicanálise pura e aplicada, seguida das pontuações de Rômulo Silva, Plenárias, concernentes a temas estruturantes das entrevistas preliminares e entradas em análise a partir da apresentação de trabalhos com enunciação singular, Ensino do Passe, com a transmissão precisa de Ondina Machado (AE) do que do fim de um percurso analítico se apresenta desde a entrada no dispositivo, e a Conferência de Esthela Solano-Suarez – Por onde entrar? –, que nos ensina, dentre muitas coisas, que o tratamento analítico é uma aposta, algo que se põe a prova, atravessando o umbral preliminar ao tratamento propriamente analítico do inconsciente e suas formações.
Ao modo de um nó de quatro, a estrutura da Jornada se fundamenta sob o pilar da experiência analítica e o que dela se pode transmitir a partir da Teoria da Clínica, a transmissão do percurso analítico, que mantém aberta a questão sobre o que é o psicanalista e como, um a um, essa formação se configura desde o sintoma de entrada, e a verve política que nos destina à diferenciação entre o tratamento psicanalítico e psicoterápico, resgatando os seus princípios, sem nos permitir defender-nos da contingência real que faz dessa experiência inédita e necessária, que demanda o rigor e um esforço de transmissão, favorecendo que, na sua singularidade discursiva, a psicanálise mantenha-se no horizonte da época, sem diluir-se mercadologicamente.
Ecoam dessa Jornada, como ressonâncias do encontro contingente um velho tema conhecido pela comunidade, um novo frescor: nos espaços de conversação, convergiram vozes novas e antigas, entre membros, associados e interessados na psicanálise lacaniana, revelando a necessidade dos pilares, aí mesmo onde se vulgariza, no terreno virtual, diversas formações que não se sustentam na tríade análise pessoal, supervisão e estudo teórico de formação permanente. Igualmente, a participação de membros de diversas seções, aglutinados em Salvador, faz ver um verdadeiro trabalho de Escola Una, onde o múltiplo das enunciações e o Um que nos faz orbitar em torno da Coisa, do furo do saber, se apresenta em efeitos de transferência de trabalho, causado e com direção. Com um novo vigor, posto à prova e testemunhados nos escritos que vieram, podemos ler, tal qual um sintoma, uma psicanálise que rejuvenesce, sem standards, mas, certamente, com princípios.
