Biblioteca da EBP-Rio
Paula Legey (EBP/AMP)
Ao longo deste ano, dois aspectos do trabalho da diretoria de Biblioteca da EBP-Rio merecem destaque. Considero-os particularmente relevantes por se articularem à formação e à transmissão da psicanálise de orientação lacaniana, eixo que vem orientando nossas ações na Seção-Rio.
– A criação da Base, revista online da EBP-Rio.
– O desenvolvimento de um espaço chamado Leituras da Biblioteca.
Podemos pensar na materialidade de uma biblioteca a partir de pelo menos dois aspectos. O primeiro estaria nas estantes, no local, na palavra impressa no papel do livro. O segundo, e que concerne mais diretamente à psicanálise, refere-se à materialidade do significante como letra. Não uma impressão sobre uma superfície, nem as letras do alfabeto, mas litoral entre saber e gozo, presença do gozo no simbólico, presença do simbólico no gozo. O texto não vale apenas pelo sentido, mas pelo que mobiliza no corpo. Para além da biblioteca como templo do significante[1], interessa-nos sua vida, seu movimento, aquilo que na palavra é gozo, que convoca o corpo. Uma biblioteca, nos dias de hoje e cada vez mais, não trabalha apenas com livros como objetos físicos, mas com e-books, livros digitalizados, revistas e plataformas online e outros suportes digitais.
Uma mudança importante foi implementada em nossas publicações com a criação da Base, revista on-line que reúne os diferentes conteúdos sob responsabilidade da diretoria da EBP-Rio. A Base conta com quatro seções: Arquivos da Biblioteca (antes uma publicação impressa), Giro, Youtube e Radar, nosso podcast. Com essa mudança, desejávamos reduzir a dispersão e concentrar em um único espaço o acesso ao que produzimos. Além da Base, a Seção-Rio mantém a revista impressa Latusa, conduzida pelo Conselho.
A Giro, em particular, tem se mostrado um espaço privilegiado de endereçamento do que há de novo na EBP, especialmente na Seção-Rio. A proposta dessa rubrica é acolher textos que sejam produto de questões vivas, sustentados pelo desejo do autor e por uma pesquisa própria, dirigidos à Escola e articulados à psicanálise de orientação lacaniana. O recebimento de textos ocorre de modo contínuo, sem tema pré-determinado, e a comissão editorial estabelece uma conversa prévia com os autores antes da publicação.
Acreditamos que a Giro constitui uma ferramenta importante para cuidar da transmissão e da formação, permitindo acompanhar de forma mais próxima e permanente os trabalhos que se endereçam à nossa comunidade.
O segundo ponto em destaque, as Leituras da Biblioteca, articula-se ao anterior por sua aposta na formação e na transmissão da psicanálise. As Bibliotecas do Campo Freudiano, como indicou Judith Miller, não devem se ocupar apenas de temas supostamente “internos” à causa analítica, mas funcionar como elos práticos com a cidade. “Sustentar polêmicas, praticar a discussão e instruir-se em novas fontes” são direções fundamentais. Assim, nosso trabalho não se restringe à aquisição e conservação do acervo, mas inclui a organização de apresentações, conferências, debates e outras formas de ampliar o campo de nossas discussões.
A atividade Leituras da Biblioteca dedica-se a promover conversas com temas extimos à psicanálise, buscando criar um ponto de enlaçamento entre questões atuais, assuntos candentes e nossa clínica. Neste ano realizamos duas edições do Leituras:
– “Saber fazer com a arte”, com apresentação de Flavia Corpas, comentários de Tatiane Grova e coordenação de Adriana de la Peña;
– “Ler a clínica em tempos de IA”, com apresentação de Cleyton Andrade, comentários de Rodrigo Lyra e coordenação de Patricia Paterson.
Para o próximo ano, desejamos ampliar ainda mais esse braço voltado para o fora, que, afinal, não é externo, promovendo atividades regulares da Biblioteca em um local diferente, que engaje a participação de um público que não costuma frequentar as conversas cotidianas da Seção.
[1] , Miller, J-A. “L´expérience d´une Analyse”. Disponível em: <L’expérience d’une analyse. Jacques-Alain Miller. 30-09-2010. – YouTube>
