As 32 Jornadas Clínicas da EBP Rio: A transferência na prática
Maria Silvia G. F. Hanna (AME, EBP/AMP)
A EBP Rio realizou suas jornadas anuais!
Foi um encontro ensinante, ordenado em torno da pergunta: o que a prática ensina sobre a transferência?
O conceito da transferência, seu estatuto e sua função, foram retomados a partir dos três eixos propostos: a transferência e a interpretação, a transferência e as paixões sem o Outro e a transferência e o desejo do analista.
Os participantes das Mesas Plenárias, compostas por carteis fulgurantes, e das Mesas Simultâneas apresentaram trabalhos clínicos que se debruçaram sobre a noção da transferência, sua incidência, seu manejo, em cada caso. A presença dos efeitos de supervisão se fez notar em muitos destes.
As convidadas F. Otoni e Carolina Koretsky, ambas em sua função de extimas, apresentaram suas conferências intituladas: A transferência é o amor… e Paradoxos do ato analítico: do sujeito suposto saber ao objeto. O tema do amor foi tocado a partir dos diferentes tempos de elaboração de Lacan e se encaminhou no fim para as transformações operadas no amor após a constatação do Não há relação sexual.
C. Koretsky destacou o paradoxo presente no cerne da transferência analítica, interrogando o que ele indica, para onde nos leva, segundo Lacan. Nesse sentido, o paradoxo foi situado como um dos aspectos fundamentais a ser considerado no manejo da transferência e nos atos do analista.
O Ensino do Passe, realizado por Ondina Machado, com o título No fim, a transferência, expôs uma série de considerações em relação ao destino da libido investida na transferência no final de uma análise. O declínio e desinvestimento do SsS foi demonstrado a partir de sua experiência analítica, em que pode ser localizado que a analista já não era mais uma “exceção”, e sim “mais um”. O final de sua análise permitiu a possibilidade de demandar o passe, que ao ser aceito e sua nomeação como AE, inaugurou uma transferência de trabalho que se endereçou à Escola. Este último tópico foi objeto de questões que versaram sobre a Escola e as contingências como presença do real.
O Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro (ICP-RJ) apresentou e discutiu sobre o tema do desejo e sua função no ensino e na transmissão da psicanálise.
Também foi lançada a Revista Latusa, da EBP Rio.
O encerramento trouxe alguns dos significantes que ressoaram a partir das apresentações e, no fim, houve uma linda festa com o tema O diabo enamorado.
