Seminário de Orientação Lacaniana na Seção São Paulo da EBP
Milena Vicari Crastelo (EBP/AMP)
O convite à escrita para este número da Correio Express me trouxe a questão de como transmitir o vivo da Seção SP para nossa comunidade analítica.
Transmissão, termo caro à psicanálise, uma vez que não transmitimos da posição de mestria, mas sim do lugar de analisante, de um lugar que comporta o furo no saber. Não há um saber todo, assim como não há transmissão toda.
Desde Freud, sabemos sobre a impossibilidade de ensinar a psicanálise, de fazer uma transmissão “completa”, dado que, em psicanálise, a transmissão se dá a partir da transferência, o que implica necessariamente o inconsciente. Transmitimos sempre a partir do que nos faz questão, do que nos “morde o corpo”[1].
Para esta escrita, escolhi trazer um recorte de como o Conselho se propôs a fazer sua transmissão da Orientação Lacaniana durante o ano de 2025, uma decisão que se orientou pelo órgão de base da nossa Escola, o cartel.
Esse cartel é composto de seis conselheiros e um mais-um, de fora do Conselho. Nossa bússola é o curso de Miller, El Ultimíssimo Lacan, no qual nos debruçamos a partir das aulas publicadas em português[2].
Selecionamos o tema Do sintoma ao sinthoma a partir do que a clínica nos ensina, e cada conselheiro elaborou sua questão.
As questões fazem um recorrido aos conceitos fundamentais da clínica e como nos servimos destes na atualidade. A aplicabilidade do recalque na clínica hoje; o lugar da interpretação no ultimíssimo Lacan; o trauma e a interpretação; o acontecimento de corpo; como transmitir o real da clínica; o que podemos apreender partindo da clínica sobre a perspectiva de Um corpo como pano de fundo do gozo e como articular “a escrita do ego” com o inconsciente real são questões que nos atravessam neste trabalho.
Movidos pelo desejo de saber seguimos nessa transmissão. Trata-se de um trabalho do Conselho, não sem estar articulado com o tema de trabalho da Diretoria, a saber: “Ler um Sintoma na Época em que o Outro Não Existe”.
