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Outras Atividades

Abertura das Atividades da SLOf em 03 de março de 2020.

Boa noite a todos,

Primeiramente, para quem não me conhece, meu nome é Rômulo Ferreira da Silva e estou exercendo a função de diretor Geral da Seção Leste-Oeste da EBP, em formação.

Quero esclarecer o funcionamento desse dispositivo que inauguramos hoje para que possamos trabalhar da melhor forma possível, atravessando as barreiras que ele nos coloca.

Vamos seguir a orientação da comissão de mídias da SLOf, composta por:

Goiânia: Cristina Alves Barbosa, Brasília: Daniel Camelo Rancan, Campo Grande: Amanda Soares de Vargas, Vitória: Lucas Fraga Gomes, e coordenada por Gabriela Malvezzi, associada ao Clin-a, que se apresentou como a pessoa de confiança para se responsabilizar por essa empreitada.

Tomo a palavra em nome da diretoria da SLOf composta por Ordália Junqueira, diretora secretária-tesoureira, Ary Farias, diretor de Cartéis e Intercâmbio e Bartyra Ribeiro, diretora de biblioteca.

Sigo, acompanhado pelo Conselho da Slof, Elisa Alvarenga, sua presidente, Alberto Murta, Cristiano Pimenta, Fábio Barreto, Renato Vieira e Tânia Anchite.

Temos, tanto na EBP, assim como em suas nas seções, um funcionamento bicameral conforme seu estatuto: “A Diretoria é o órgão administrativo da SEÇÃO. Cabe a ela coordenar as atividades científicas e culturais da SEÇÃO homologadas pelo Conselho;Organizar, conforme normas e objetivos da SEÇÃO, os eventos científicos regionais, incluindo-se cursos, seminários, conferências, colóquios e jornadas”. O Conselho Deliberativo “é o órgão consultivo e decisório da SEÇÃO, Ele deve zelar pelos princípios éticos, doutrinários e políticos da ESCOLA; Orientar e deliberar sobre o ensino na SEÇÃO;Receber, analisar e homologar as propostas de ensino e eventos científicos da SEÇÃO encaminhadas pela Diretoria; Elaborar Regimento Interno da SEÇÃO e submetê-lo à aprovação do Conselho Deliberativo da ESCOLA;”

Quero agradecer à Diretoria da EBP, representada por Sérgio de Castro, seu diretor Geral, e ao Conselho da EBP, representado por sua presidente, Sandra Grostein, a confiança, ao me fazerem o convite para participar desse novo passo dado pela EBP.

Como fui diretor e, posteriormente, presidente da EBP em outros tempos, acompanhei de muito perto o funcionamento das ex-delegações que compunham o panorama da EBP à época. Posso dizer que as Delegações ocuparam um espaço privilegiado em minha pauta de diretor e de presidente. Fizemos um trabalho enorme para a constituição das Associações que poderiam fornecer solidez para a existência das Delegações, tirando-as do funcionamento jurídico informal.Tivemos muitos avanços.

Ocorria uma certa autonomia de cada localidade em suas propostas de trabalho, já que as Associações gozavam de independência financeira e estatutária em relação à Escola, mas, ao mesmo tempo, nos momentos de crise, a Escola era convocada, abolindo a autonomia e independência.

Hoje entendo, e estou de pleno acordo com a proposição da Escola em tentar fundar uma nova Seção que inclua três ex-delegações, ou quem sabe, quatro localidades, que há muito tempo estão inseridas na Escola através do trabalho de seus membros, aderentes, participantes etc.

Trata-se das extintas Delegações ES, MT/MS e GO/DF.

A invenção de tais dispositivos de trabalho, as Delegações, delimitou, à época, espaços que reuniam analistas interessados em fundar ou aprofundar o trabalho em torno da psicanálise da Orientação Lacaniana. Laços locais já existentes puderam encontrar um lugar simbolicamente instaurado pela EBP, a partir da proximidade geográfica.

No entanto, com o passar do tempo, tornou-se importante retomar os princípios do funcionamento da Escola de Lacan que prevê, por exemplo, a permutação dos cargos ocupados. Se temos um pequeno grupo em torno da causa analítica, é preciso contar com a diversidade e diferenças de posições.

As Delegações cresceram, mas não o suficiente para organizarem o coletivo desses analistas em um funcionamento entendido dentro da lógica da Escola. Sabemos que a presença de um líder é importante no exercício centrípeto em torno de um tema, mas é necessário que esse líder esteja aberto às forças centrífugas que a formação de um grupo instaura.

Coloca-se um dilema: se o líder local é forte e consegue fazer um trabalho sem grandes desvios da Orientação original, constitui-se um grupo homogêneo, que segue a norma do líder, ou seja, tudo o que Lacan criticou nas formações dos grupos da IPA.

Se por outro lado, o líder é fraco e não consegue fazer com que os princípios da psicanálise prevaleçam, o grupo tende à errância, pautada nas paixões de cada candidato à novo líder.

Observa-se muitos trabalhadores em torno da psicanálise nos laços instituídos pela aproximação geográfica, que se dedicam enormemente à sustentação de suas posições locais.

Trata-se da lógica de grupo, que é inevitável em qualquer proposta de associação!

Estou aqui, diante de vocês para tentar cumprir uma proposta que não fui autor.

Coloco-me com muito orgulho, como um dos atores que protagonizam mais um episódio da EBP/AMP.

Sabemos, desde Freud, da importância da presença dos corpos na experiência analítica. Essa recomendação se estende para os muitos mecanismos de formação do analista, seja a supervisão, o cartel, e à transmissão teórica da psicanálise.

Porém, seguindo também a orientação de Freud e de Lacan, de que o psicanalista deve estar à altura de sua época, é preciso avaliaras barreiras impostas pelo espaço e pelo tempo.

O mundo contemporâneo inventou mecanismos de transpô-las, e não devemos, ao menos, nos furtar a testa-las.

Com a aposta de colocar uma nova Seção da Escola, em funcionamento, a EBPsubverte os laços de trabalho estabelecidos de longa data, baseados nos lugaresnos quais as iniciativas pró-Escola foram fundados, ou seja, as três ex-delegações.

Ao dispersar o grupo, a Escola amplia a experiência de espaço e de tempo de seus participantes, e ainda, possibilita a abertura dos laços. É sempre a oportunidade de respirar!

Podemos testemunhar essa experiência se nos pautarmos nos trabalhos de cartel que já participamos.

É nesse sentido que o Cartel é a célula da Escola. Primeiro ponto: o cartel é da Escola, não é do grupo local. Segundo ponto: o Mais um é um líder, mas é um líder fraco. Ele sabe não saber, sabe instigar o trabalho em torno de um tema e não dele mesmo. O mais um pode fazer circular os discursos dentro do cartel impedindo as sedimentações de espaços ocupados. Ele dura dois anos no máximo. Depois é dissolvido e é preciso permutar. Permutar os participantes, os temas e os lugares ocupados.

Seria importante podermos trabalhar o texto de Lacan D’Écolage, um texto curto que nos dá as orientações sobre o Cartel, e consequentemente, sobre a Escola.

É preciso fazer valer esse funcionamento do cartel no universo de cada Seção. Por mais consistente que seja o trabalho aí constituído, a Escola o desarranja, incomoda, faz circular.

Essa é a função da Escola que, de certa maneira, se viu inoperante nas Delegações.

Essa é também a função da AMP em relação às Escolas que a compõem. É a função da Escola UNA! É a função dos Cartéis do Passe que se organizam de tempos em tempos no Colégio do Passe, é a função das Comissões da Garantia, Europeia e Americana, dos Encontros, dos Congressos etc.

Podemos dizer que nunca estamos fora do risco de nos desviarmos do que é a psicanálise, por mais profícuo que seja o trabalho realizado.

Foi por essa via que o Conselho da EBPdeterminou a extinção das Delegações, e me convenceu a aceitar o convite de estar aqui com vocês.

A SLOf reúne um Brasil diversificado. Vamos enfrentar no dia a dia, da Seção o que se enfrenta no âmbito nacional: as diferenças dos hábitos, dos sotaques, do clima. Circularemos pelo cerrado , pelo pantanal e pela praia.Modos de vida e de laços sociais que nos colocarão em desafio em fazer valer a cega cortante da verdade freudiana onde quer que ela tenha de incidir.

A minha aposta é na construção do Um dessa Seção em formação. As atividades das terças-feiras que hoje se inauguram, podem nos colocar diante das diferenças que antes nos distanciavam, sem eliminá-las por completo.

Quando fazemos uma aposta, deixamos cair o que antes era a nossa garantia. Convido a todos que joguem seus dados.

Seguindo Lacan, vamos apostar no funcionamento.

Por enquanto, nenhum de nós está à altura de declarar: “Eu fundo a SLOf”.

Apostando no funcionamento, estamos propondo:

As I Jornadas da SLOf

  • Data: 09 e 10 de outubro de 2020
  • Local: Aliança francesa em Brasíla- DF
  • Convidado: Romildo do Rêgo Barros
  • Tema: a ser definido

As Jornadas terão como ponto de partida para a apresentação de trabalhos os produtos de cartéis da SLOf.

Em breve vocês receberão notícias!

PROGRAMAÇÃO

Sobre a programação podemos observar a lógica bicameral que a EBP segue em seu funcionamento: Diretoria e Conselho, como dito acima.

À Diretoria cabem as orientações epistêmicas sobre o funcionamento do dia-a-dia de uma Seção. Faremos atividades de Cartéis e de Bibliotecas que sustentam a vida de uma Seção.

Na atividade de Cartéis abordaremos tanto o fundamento do Cartel como célula da Escola, como colocaremos a céu aberto o que ocorre no âmbito de nossa Seção.

Essa atividade ocorrerá em duas ocasiões nesse semestre e estará a cargo de Ary farias.

As atividades de Biblioteca nos trarão o que há de mais interessante para a leitura, interpretação e crítica das conexões com a psicanálise no contexto atual, sob a responsabilidade de Bartyra Ribeiro de Castro.

A Diretoria abordará os pontos de encontros que temos pela frente no âmbito da EBP e da AMP. Para o Congresso da AMP em Buenos Aires, que ocorrerá de 13 a 16 de abril de 2020, Sandra Grostein, nossa presidente, fará uma preparatória.

Ordália Junqueira nos apresentará o Encontro Brasileiro, e Sérgio de Castro, nosso Diretor Geral, fará o aquecimento desse Encontro que ocorrerá em novembro de 2020, em Salvador!

Abordaremos também a Escola de Lacan!

Tema já muito visitado por todos, mas inesgotável! A Lógica da Escola está entranhada em nossas experiências de análise pessoal, da clínica supervisionada e do estudo teórico. Entendemos que é fundamental retomarmos essa invenção de Lacan no momento em que estamos juntando três polos de trabalho há muito tempo existente para que possamos discutir os princípios da formalização lacaniana que sustentam uma instituição singular como essa.

Ao Conselho da SLOf caberá a tarefa mais propriamente epistêmica. Trabalharemos o curso de Jacques-Alain Miller “O Lugar e o laço”, nada mais indicado para nos depararmos com os desafios que certamente encontraremos em nossa empreitada.

O Conselho abordará também o Passe, invenção lacaniana que nos é extremamente cara e que redefine a formação do analista de Orientação Lacaniana.

A supervisão e a Garantia também estão na pauta do Conselho.

Preparem-se!

Reportando a abertura das atividades da Seção Leste-Oeste, em formação

Nesta última terça-feira, dia 03 de março de 2020, começaram as atividades da Seção Leste-Oeste, em formação (SLOf).

Interligados pela tecnologia que nos permite transpor os limites geográficos e vencer obstáculos jamais imaginados, os quatro territórios desta nova Seção da EBP se conectou em torno da fala de abertura e de boas vindas de Romulo Ferreira da Silva – Diretor da SLOf.

Romulo teve a oportunidade de apresentar a configuração estatutária da EBP e justificar a criação desta Seção de acordo com o funcionamento bicameral da EBP. Nesta fala inicial, houve espaço para a descrição dos cargos dos Membros de Escola ligados, tanto à SLOf, quanto à Diretoria Geral da EBP, quanto ao seu Conselho Deliberativo e suas funções coordenação as atividades que a nova Seção levará a cabo no primeiro semestre deste ano.

Foi uma noite bastante concorrida nos quatro lugares da SLOf – Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, onde se localiza a nossa sede jurídica.

E torno de 100 participantes, distribuídos pelos diferentes locais, puderam assistir a este lançar de dados numa aposta no desejo decidido dos membros da EBP que se colocam ao trabalho para fazer funcionar efetivamente a Escola de Lacan e suas localidades.

Desejamos ótimo trabalho a todos.

1ª Noite do Conselho na SLOf

Sandra Grostein, Presidente do Conselho da EBP, apresentou o tema do Congresso da AMP – O sonho, sua interpretação e seu uso na clínica lacaniana, para questionar se o sonho se presta como via régia para o inconsciente real.

Antes de iniciar propriamente o tema, Sandra nos convidou a todos para o Fórum Zadig que acontecerá em SP, dia 19 de março.

Para abordar o tema do sonho, Sandra se valeu de seu texto publicado no papéis II, lendo-o para nós, a fim de que pudéssemos detalha-lo.

Neste texto, Sandra ressalta que Lacan afirma que o sonho tem a mesma estrutura do desejo, nos lembra que a função do sonho é proteger nosso sono das perturbações e que nada além de um desejo pode colocar nosso aparelho psíquico a trabalhar.
Sandra retoma Lacan em dois momentos outros: Seminários 17 e 8 para trabalhar o despertar. O despertar para continuar sonhando e não nos aproximarmos da verdade, e o despertar pela aproximação do sonho ao real.
Tratar-se-ia de despertar o analisante? Nos pergunta Sandra em seu texto como ponto relevante onde sonho e sintoma se articulariam.
Sandra recorre a Miller em O Ultrapasse, quando coloca duas possibilidades de orientação para a clínica: orientar-se pelo sintoma ou pela fantasia, articulando pela diferença entre ser e existir.
O sintoma é tomado como uma função diferente do sonho, dos lapsos, dos atos falhos e dos chistes.
Assim, mais uma pergunta surge na proposta de Sandra: como avançar para além da fala numa análise?

Assim, Sandra Grostein nos convocou, mais uma vez, a ir em direção à articulação da interpretação do sonho distinta do sintoma, quando do Congresso da AMP em Buenos Aires, em abril próximo.

Agradecemos muito a Sandra pela sua disposição generosa em nós colocar a trabalho.

Reportando a 3ª terca da Slof

Nesta terceira terça da Seção Leste-Oeste (em formação), Elisa Alvarenga – Presidente do Conselho da SLOf, iniciou a leitura do Seminário de Jacques-Alan Miller – O Lugar e o Laço, de 2000 – como um tema a ser trabalhado rumo ao Um desta nova seção da EBP.

Elisa começa nos lembrando Lacan quando nos ensina que deve renunciar a ser psicanalista quem não alcançar a subjetividade de sua época.

Elisa comentou o primeiro capítulo do texto estabelecido por Graciela Brodsky, intitulado La tentación del psicoanalista, partindo da aposta no passe, na Escola de Lacan. A tentação do psicanalista, conforme Miller nos traz, é a de tornar-se um clínico. Clínico é aquele que se separa do que ele é.

Elisa ressalta que ‘o lugar e o laço’ pode ser tomado igualmente como ‘o lugar é o laço’, o que coloca cada um no lugar de analisante. A assonância sonora entre lien (lugar) e lieu (laço) nos remete ao fato de que, por um lado está o laço e por outro, o lugar, e que o analista, em sua prática, está em dois lugares. O psicanalista faz parte do conceito do inconsciente fazendo parte da clínica da qual ele é causa.

Elisa segue com Lacan para nos dizer que o ensino só acontece verdadeiramente quando acontece algo novo.

No que tange ao controle, Miller dedica parte deste capítulo ressaltando que o que se controla é a relação entre o lugar e o laço. Da mesma forma que há uma relação entre controle e passe, pois, no passe, o passante vem contar a um outro, algo sobre um terceiro.

Elisa lembra Miller em O Banquete dos Psicanalistas quando diz que Lacan usou algo do controle para formular sobre o passe, como um encontro com o lugar da experiência, como uma subjetividade secundária. Uma questão sobre que consequências o analista extrai quando não cede à tentação de se tornar um clínico. Disso depende o laço entre a psicanálise e o psicanalista. Existem análises e analistas.

Igualmente nos foi lembrado na explanação de Elisa, que Freud inventou a psicanálise e uma instituição para protegê-la. Desta, Lacan foi excomungado – assim ele dizia para enfatizar o caráter religioso que tomou a IPA, quando deixa de fora alguém que causa problemas.

Desta excomunhão, Lacan funda a sua Escola com a pergunta sobre o que é um psicanalista em seu cerne. Neste sentido, a Escola de Lacan faz uma aposta naquele que se autoriza como psicanalista e coloca o passe como um de seus pilares onde se verifica a articulação da psicanálise do praticante à terapêutica. Esta seria a própria reinvenção da psicanálise.

Reinventar a psicanálise é a própria condição de que a psicanálise continue a existir a partir da experiência de cada um.

Elisa termina enfatizando sobre a dificuldade que temos tido de transmitir a psicanálise nas bases do último ensino de Lacan.

NOITE PREPARATÓRIA PARA O 23º ENCONTRO BRASILEIRO DO CAMPO FREUDIANO
O feminino infamiliar – Dizer o indizível

Por Ordália Junqueira – Diretora Secretária Tesoureira da SLOf

Ordália começa dizendo que o feminino interessa à psicanálise e nos lembra que a causa analítica não entra em quarentena. O real se impõe ao subjetivo determinando um antes e um depois, rompendo barreiras e inventando novas formas de trabalho.

Nada está e nada será como antes.

Ordália se serve de textos de Miquel Bassols,  Jésus Santiago e de Eric Laurent para referenciar seu relato.

Ordália nos traz que o deslocamento da tradução de unheimlich como estranho, inquietante, para infamiliar exige uma mudança de foco, pois o coloca como mais familiar que se gostaria de admitir. Algo do inconsciente se apresenta no familiar que se torna estranho. Estes fenômenos implicam o sujeito deixando-o perplexo e o interroga.

Para trabalhar o mais familiar e o mais estranho, Ordália nos lembra uma anedota de Freud quando este encontra um velho saindo de sua cabine, enquanto ele entrava, e el, somente depois de se questionar sobre quem seria aquele velho, se dá conta de que estava diante do espelho. Aquela era a sua imagem refletida.

Ordália anuncia que trabalhará os eixos teóricos do 23º Encontro Brasileiro ao longo destas Noites Preparatórias e que hoje, se deterá sobre o Eixo I – O REAL SEM LEI.

Ela aproveita a contingência na qual nos encontramos – isolamento doméstico por causa da pandemia de coronavírus, para dizer que há um tempo de compreender em jogo quanto a este real. Como uma sombra, citando Laurent. E aproxima o unheimlichI freudiano – um impossível de dizer, e o lacaniano – a extimidade.

Os textos de referência deste Eixo servem de base para esta apresentação: Freud, em 1919 – Das unheimlich – como o impossível de dizer; O argumento do Encontro; o texto da Comissão Científica, e o texto Das unheimlich, de Fernando Vitali (todos publicados em Boletim on line, nºs 01 e 02).

Há o sabido, o sabível e o não sabível. Há o indizível do feminino e o desejo de dizer de outra maneira os efeitos da inquietante estranheza. Há o familiar, surgindo no infamiliar; há o estranho, surgindo no familiar.

O unheimlich nos serve como bússola para a clínica e isso quer dizer que interroga a sua presença na clínica do cotidiano e na própria análise dos analistas.

O cenário imposto pelo coronavírus nos obriga a lidar com num estranho inquietante.

Ordália nos emociona ao final quando traz o desabafo de uma médica italiana, do hospital San Carlo, de Milão, frente à dor das despedidas daqueles condenados pelo coronavírus, que a solicitam que diga algo do indizível aos seus familiares.

A ESCOLA DE LACAN

Rômulo Ferreira da Silva

No último dia 12 de maio, a SLOf se encontrou online para escutar sobre a Escola de Lacan nas palavras de seu Diretor Geral, Romulo Ferreira da Silva, que começou dizendo que a Escola de Lacan não é uma sociedade de analistas, nem um conselho profissional (CRM, CRP etc.), visto que os Conselhos podem dizer sobre o que venha a ser um médico, um psicólogo, etc. No entanto, no que diz respeito à formação do psicanalista, há duas perguntas como pontos de partida: o que é a psicanálise e o que é o psicanalista?

Romulo nos lembrou Lacan em seu “Ato de Fundação” (1964), fruto de um longo percurso histórico e em consonância com a reconquista do campo freudiano, quando disse que estavam “habilitados de pleno direito aqueles que (ele mesmo formou), e que estão convidados a contribuir para introduzir, dessa formação, o bem-fundado da experiência”. Desta orientação, Lacan estabeleceu os cartéis e concebeu três Seções para a sua Escola: 1) A Seção de Psicanálise Pura; 2) A Seção de Psicanálise Aplicada; e A Seção do Recenseamento do Campo Freudiano. Neste texto, “Da Escola como experiência inaugural”, ainda extraiu, dentre outras citas, “O ensino da psicanálise só pode transmitir-se de um sujeito para outro pelas vias de uma transferência de trabalho”.

 

Em “A proposição de 9 de outubro” (1967), Lacan institui dois gradus, o Analista Membro da Escola (AME) e o Analista da Escola (AE). Entre estes dois gradus, uma tensão e uma aproximação. Retroativamente, surgem duas lógicas referentes às Seções anteriormente criadas por Lacan: Seção 1 está mais na lógica do não-todo e as outras duas, mais na lógica do todo.

Romulo tomou esta tensão para trabalhar a relação entre Instituto e Escola, uma vez que em 1968, Lacan fundou o Departamento de Psicanálise da Universidade de Paris-VIII, marcando uma diferença entre o que se transmite na Escola e o que se ensina na Universidade. Em 1976, criou os cursos e respectivos diplomas do DEA (um equivalente ao nosso Mestrado) e do Doutorado, dando consequência ao que Freud (1919) havia dito sobre o ensino da Psicanálise na Universidade, visto que é um lugar de transmissão de saber consolidado. Neste mesmo texto, Freud ressalta que, no entanto, o psicanalista não será formado ali.

Ainda em um percurso histórico, Jacques-Alain Miller (1977) faz a anexação da Seção Clínica no Departamento de Psicanálise, formalizando as Seções de Psicanálise Aplicada e do Recenseamento do Campo Freudiano, na Universidade, a fim de levar para dentro desta “uma definição lacaniana da clínica e estabelecer conexões, comportando cursos e uma prática de apresentação de pacientes.” E a criação da Fundação do Campo Freudiano (Lacan, 1979), inaugurando um espaço diferente daquele da Escola Freudiana de Psicanálise (EFP) e da Universidade, para a difusão da psicanálise e da Orientação Lacaniana. Em 1987, Jacques-Alain Miller funda o Instituto do Campo Freudiano “para desenvolver a tarefa de ensino e investigação da psicanálise, levando-a a outros países.”

Esta tensão entre Escola e Instituto se localiza e se estabiliza na manutenção de lógicas de funcionamento que se distinguem por princípios completamente distintos – trazendo de um texto de Jésus Santiago. O objetivo final é não fazer uma sociedade de psicanalistas, mas uma Escola “constituída ao redor de um ‘não saber o que é o analista’, porém, sempre buscando sabe-lo”.

ATIVIDADE DO CONSELHO

PORQUE A SUPERVISÃO

Elisa Alvarenga- Presidente da SLOf

Inaugurando o novo espaço na SLOf chamado PASSE E SUPERVISÃO, Elisa Alvarenga aborda porque a supervisão, iniciando com os pilares da Escola de Lacan – Cartel e Passe. No entanto, a Supervisão, como se coloca na formação do psicanalista?

Elisa traz Lacan e cita Miller tomando a supervisão como sendo uma forma de proteger o paciente. Numa referência a Miller, lição de 11 de maio de 2011 – o SER E O UM, lembra que o que se ensina numa supervisão não é essencialmente a arte do diagnóstico, mas transmitir ao supervisando sobre a potência de sua palavra, isto é, como interpretar.

Elisa percorreu pontos do ensino de Lacan quanto à interpretação: primeiramente criacionista, baseada no desejo, para que a fala do analista tenha importância para o analisante, é preciso que a sua fala seja rara para ter valor. No segundo ensino, não mais centrado no inconsciente e na cadeia significante, mas no gozo, diz Miller, há uma distância entre clínica estrutura e clínica acontecimento onde se aloja a prática da supervisão. Mas não podemos distinguir acontecimento de estrutura e isso dá lugar à interpretação.

Tomando Lacan em 1953, Elisa se apoia em Eric Laurent em seu livro O Avesso da Biopolítica (2016) para lembrar que Lacan teve o cuidado de ligar interpretação e supervisão na época do falasser, desde a primeira lição do Seminário 23 – O uso lógico do sinthoma.

Elisa abordou, então, a supervisão e a interpretação no primeiro e no último ensino de Lacan. Partindo do inconsciente estruturado como uma linguagem, o controle enfatizava o domínio do simbólico sobre o imaginário. A supervisão seria o lugar onde desapareceria o suposto dom clínico impenetrável postulado por alguns analistas e criticado por Lacan. Laurent utiliza o termo ‘placa sensível’, o mesmo trazido por Lacan a respeito da função dos passadores no passe, para falar do analista/supervisando, para dizer sobre a sensibilidade de colher os ditos do analisante. O supervisando, podendo ser colocado em uma posição diferente da sugerida pelo termo ‘controle’, mas em ‘supervisão’ (vantajosamente sugerido por Lacan), melhor ainda, ‘super audição’, o melhor fruto a ser colhido seria aprender a se colocar em uma posição de ‘subjetividade secundária’, de $ (posição de não saber), onde coloca imediatamente o supervisor. Nessa época, Lacan pensava a relação analisante/psicanalista como intersubjetiva – antes de elaborar a posição do psicanalista como objeto para o analisante.

Passando pelo Discurso de Roma e chegando ao Seminário 12 – Problemas cruciais para a psicanálise, Elisa cita Lacan quando diz: “A psicanálise só valerá o que você valer quando se tornar psicanalista. Ela não irá além do ponto que pode te conduzir”. Isso levará ao que Lacan propôs, mais tarde quanto ao analista se colocar como objeto causa de desejo de seus analisantes, conduzindo seus analisantes a partir do ponto em que pode alcançar sendo analista.

A partir do falasser, Lacan estrutura de forma completamente diferente a experiência da supervisão, sua relação com a transmissão das regras da interpretação. Elisa trouxe Miller (2002): “leva-se para a supervisão sua divisão, suas palpitações, supondo que, no ato analítico, o analista se abstraia disso”.

Em 1953, supunha-se que o analista operasse como sujeito até que o ato analítico foi definido em função do analista enquanto objeto a; a supervisão consistia em uma ‘ressubjetivação do psicanalista’, que comparece na supervisão como sujeito barrado que dá testemunha de sua falta-a-ser e quer saber.

“Se hoje partimos, não apenas do objeto a, mas também, do falasser, como ficam as posições do analista praticante e do analista supervisor?” Com esta pergunta, Elisa passou à segunda parte: Lacan, 1975.

Seminário 23, primeira aula, Lacan enfatiza a transmissão das regras da interpretação centrada no uso do equívoco como arma contra o sinthoma em duas etapas: 1) quando são como um rinoceronte e, 2) quando se libera algo do sinthoma. “Com efeito, é unicamente pelo equívoco que a interpretação opera. É preciso que haja alguma coisa no significante que ressoe. As pulsões são, no corpo, o eco do fato de que há um dizer. Esse dizer, para que ressoe, para que consoe, é preciso que o corpo lhe seja sensível, e ele o é. Porque o corpo tem orifícios, dos quais, o mais importante, é o ouvido, porque ele não pode se tapar, se fechar. É por esse viés que o corpo responde ao que chamei de voz” (Lacan).

Passa-se do rinoceronte ao equívoco, do ‘eles têm sempre razão (raison)’ para ‘aquilo que ressoa (reson)’. Como passar do logos como razão para o logos como o que ressoa? Como passar do rinoceronte – o analista recolhido em seu ato, devendo livrar-se de suas palpitações para estar no ato analítico? Um segundo tempo abre-se. Da interpretação como sintoma/sentido/significação à interpretação como aquela que ressoa, um escrito na fala, a única que pode liberar algo do sinthoma. Trata-se de utilizar-se de lalíngua, do equívoco pelo qual a interpretação opera.  Trata-se de utilizar o dizer de forma que, na fala, o efeito de escrito faça surgir o equívoco que toca o sinthoma por sua ressonância. No corpo falante, as pulsões são os traços, são o eco do fato de que há um dizer que tocou o corpo. Um escrito na fala – operar com o S1, equivalente à letra (Laurent: A interpretação: da verdade ao acontecimento).

Elisa seguiu enriquecendo o debate sobre o rinoceronte trazendo o Teatro do Absurdo em alusão à submissão humana e à sua animalização diante de uma ideologia, a partir de uma apresentação de Elenice de Castro (EBPMG) que toma o rinoceronte como aquele que faz qualquer coisa, como o supervisando, regido por uma lógica subjetiva, que se vê alienado à lógica da fantasia. Neste momento, a escuta do analista se fecha ao contingente.

Tomando Anaëlle Lebovits-Quenehen sobre o analista-supervisor, ressalta que é também em ato que o rinoceronte rejeita o racismo e a domesticação. A aprovação de Lacan, ensina ao rinoceronte a não ser, ele mesmo, racista em sua prática. Que ele mesmo suporte, em ato, a singularidades de seus analisantes.

A segunda etapa da supervisão, mencionada por Lacan no Seminário 23, que visa jogar com o equívoco para liberar o sinthoma encontra, no Seminário 24, um contraponto entre supervisão e análise pessoal, a partir de uma intervenção de Alain Didier Weill, que permite que se compreenda melhor o dito de Lacan no seminário anterior – a supervisão como o lugar onde o analisante é convocado a responder pelo que diz, diferentemente da análise regida pela Associação Livre.

Elisa conclui com o exemplo do testemunho de passe de Domenico Consenza, apresentado por Laura Rubião, em Minas Gerais, 2019, publicado no blog da AMP: A supervisão para além da construção do caso clínico: o funcionamento sinthomático.

NOITE PREPARATÓRIA PARA O 23º ENCONTRO BRASILEIRO DO CAMPO FREUDIANO

O feminino infamiliar – Dizer o indizível – Salvador – BA

Por Sérgio de Castro – Diretor Geral da Escola Brasileira de Psicanálise

Para esta segunda noite preparatória, a SLOf teve a prazer de receber o Diretor Geral da EBP – Sérgio de Castro que trouxe um texto bastante intrigante para o debate conosco. Como nos disse Romulo Ferreira da Silva em sua apresentação, “um verdadeiro canteiro de obras”.

Sérgio de Castro começou sua fala agradecendo o convite e reiterou a todos que o Encontro Brasileiro segue sendo organizado e deverá acontecer em novembro, conforme previsto.

Sérgio nos lembra, de início, que o neologismo Infamiliar é a proposta de tradução de Ernani Chaves e Pedro Heliodoro Tavares, para a forma substantiva Das unheimliche, título do célebre ensaio de Freud de 1919.  Ressalta a dificuldade da tradução alemã também para a língua latina especialmente por ela conjugar o termo heimliche, o doméstico, o familiar, o íntimo, com seu oposto, o não familiar.

Sérgio não se deteve na questão de que Freud situa, em tal palavra, algo do que Lacan, também num neologismo, chamará de êxtimo. Deteve-se nas referências recentes de autores do Campo Freudiano como Miquel Bassols e publicada em Opção Lacaniana n.79, dirá que: “Se tivéssemos que transpor literalmente o termo em nossa língua (o espanhol, no caso, mas com os mesmos impasses e dificuldades que o português), então melhor seria falar de “O in-familiar”. Da mesma forma, trouxe também da recém publicada resposta de Lacan a Marcel Ritter[i], a observação feita por Lacan de que o UN presente em algumas palavras alemãs-como unheilimch, unbewusste- inconsciente- assim como o Unerkant, o não reconhecido, se liga e remete a um limite, um limite  do dizível. Tomando do Editorial do número 102 da Revista La Cause du désir, Sérgio de Castro lembrou “Fabian Fajnwaks que acolheu a sugestão feita pelo filósofo Jean-Luc Nancy o termo Unheimliche por inquiétante etrangeté – inquietante estranheza – seria inadequada – e que inquietante familiarité – inquietante familiaridade, seria melhor e mais próxima do sentido em alemão. Dirá Freud “O infamiliar é uma espécie do que é aterrorizante, que remete ao velho conhecido, há muito íntimo” (P. 33, O infamiliar, ed. Autêntica)”.

Após toda esta explanação sobre o termo, Sérgio de Castro tomou o ensaio de Freud, lembrou que este indica “a angústia como própria a tais acontecimentos, e ao final os indexará ao recalcado e a seu retorno”. Para Sérgio, “tais fenômenos serão sempre mais ou menos inesperados, com algo de invasivo em seu caráter de surpresa e angústia suscitada, e em maior ou menor grau, rompendo ou forçando parâmetros simbólico/imaginários previamente delimitados e supostamente estáveis. Será por tais vias que nos perguntaremos aqui, se uma certa aproximação com o gozo feminino tal como proposto no avançado de seu ensino por Lacan, não poderia ser interessante”.

Foram incluídos, fenômenos infamiliares extraídos do conto de Hofmann e elementos contemporâneos: “Refiro-me aqui aos recursos técnico-científicos da genética e da  medicina contemporânea, por exemplo, que transformam e produzem organismos vivos, que cirurgicamente criam mutações corporais inimagináveis para Freud e seu mundo, ou a internet e suas redes não hierarquizadas e sem um centro organizador, dos quais nos valemos de um hoje, aos recursos e ingerências na vida de cada um desse Outro constituído a partir dos arquivos de Big-Data que a cada dia sabem mais sobre nós mesmos e constituem todo um novo e estranho imaginário que incide sobre nós e sobre decisões que acreditávamos terem sido tomadas na intimidade e no privado”.

A partir destes pontos, Sérgio de Castro propôs uma questão: “se também, ao situarmos e nos aproximarmos do fenômeno do infamiliar em sua atualidade, o retorno do recalcado enfatizado por Freud como próprio desse fenômeno, não deverá ser pensado  numa conjuntura onde o Nome-do-Pai, como constatamos em nossa orientação,  como agente do recalcamento, não incidirá  mais de forma tão determinante sobre o falasser. Ou seja, entre a angústia e, para o Freud de então, seu correlato, o retorno do recalcado, apresentados ao longo do ensaio como elementos próprios, ainda que não exclusivos, do sentimento de infamiliaridade”.

Sérgio tomou o Seminário de Lacan, A Angústia – Seminário 10, para trabalhar esta questão, uma vez que “o XXIII Encontro Brasileiro pretende cotejar, articular, distinguir, clínica e epistemicamente, o feminino- ou, o gozo feminino, esse conjunto aberto sem uma delimitação precisa- que, adianto, não será uma prerrogativa exclusiva das mulheres, do infamilair freudiano, tal qual, o artigo de Freud, apostamos, nos permite fazer. O alcance e o resultado de tal cotejamento poderá, como creio ter indicado, nos surpreender”.

Em “O Seminário, Livro XX, mais ainda, Lacan avança de forma decisiva em suas elaborações sobre o feminino. Se, no início de seu ensino, uma posição feminina era definida a partir de sua relação com o falo […] Situar uma posição feminina apenas articulada ao falo, e portanto a uma operação de recalcamento, como o vemos, a partir da fórmula da metáfora paterna, não nos parece então uma via suficiente para o que visamos no Encontro Brasileiro. Será preciso ir mais além, como o fará Lacan”. Pois, “os momentos iniciais de Lacan, serão, segundo Miller, momentos de grande otimismo, uma vez que o simbólico, em tese, seria capaz de recobrir todo o imaginário e significantizar toda a pulsão”.

As elaborações apresentadas sobre o esforço de Lacan, no  Livro 10, para circunscrever o gozo num objeto a, como termo heterogêneo e exceção dada ao gozo em relação à linguagem, dez anos depois, no Livro 20, mais ainda, será formulada distintamente. Sérgio coloca que “tal regime de exceção, que tentava elementarizar um real, será estendido e tocará, sob a designação de “não todo fálico”, os fundamentos mesmos da linguagem. A própria ultrapassagem lacaniana de uma linguística saussureana, com suas elaborações sobre lalangue feitas ali evidenciam a direção que Lacan dava à questão. JAM chamará a atenção para a escrita do J maiúsculo proposta ali por Lacan, que o levará a pensar na estrutura do nó, mais que na estrutura da linguagem. Miller falará, em Coisas de fineza, na lição de 14/01/2009, que, “com o J (jota maiúsculo) a coisa explodiu””.

Sérgio pergunta “se a  tese desenvolvida por Miller em sua Teoria de Turim relativa à feminização do mundo não seria  compatível com tais elaborações do Seminário  livro 20. A disseminação que assistimos de um gozo não todo fálico incidindo sobre as modalidades do laço social contemporâneas poderá ser pensada a partir daí”, parece-lhe. “Aqui também podemos apontar, para nos referirmos a debates e questões atuais, ao não binarismo do regime de gozo a que chega Lacan. Como não se trata, com a fórmula lacaniana [para não todo X , fi X] , de complementariedade de gozos ou de uma simples oposição simétrica, não estamos mais regidos pelo binarismo do 1/0, presença/ausência ou falo/ castração” “ Tal gozo, não todo fálico, será generalizado por Lacan, o que permite a Miller dizer que: “Pelo viés do gozo feminino digamos que Lacan percebeu o que era o regime do gozo como tal””. (O ser e o UM, 2/3/2011.)

Sérgio de Castro encerra abrindo para questões importantes que abrem para pontos candentes da contemporaneidade como:

“A lógica feminina do não todo prescindiria inteiramente de uma referência ao falo? O gozo dito “não-todo-fálico” já não o convocaria, ao falo, como um ponto a partir do qual outras delimitações poderão ser feitas? É certo que o infamiliar que nos interessa no Encontro apresenta-se, como creio ter indicado nessa apresentação do tema, num além do falo.  Mas uma referência ao falo, ainda que para indicar algo além dele, não nos permitiria estabelecer termos distintivos entre o empuxo à mulher, o objeto a no zênith social, a feminização do mundo, ou uma perspectiva do feminino que não fosse apenas superegóica?”

Logo após a explanação de Sérgio de Castro, Fábio Paes Barreto foi convidado a comentar e abrir para o debate.