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Come teu Dasein

Miguel Antunes

“Come teu Dasein” é a frase que aparece discretamente, mas se destaca, no cartaz da Livraria do XXIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano: O feminino infamiliar: dizer o indizível. Qual a razão de tal frase estar presente aí? Qual seria sua relação com o tema do nosso Encontro?

Sabemos que é de Heidegger que Lacan se inspirou em relação ao referido conceito de Dasein. Para o filósofo alemão, o que está em jogo é algo da indeterminação marcada por uma temporalidade, entre o ser-aí e o que esse ser “pode-ser”, movimento que inaugura o que “já se é”.

Embora Lacan se valha da noção de Dasein para desenvolver sobre a realidade humana (Lacan, 1985/1972-3), ele vai além e comenta que aquela (Dasein) exclui a sexualidade, por ter permanecido no campo do sentido. Como Lacan era psicanalista e não filósofo, interessava-se pelo que está em jogo na experiência de uma análise e que inclui a sexualidade a partir dos limites do dizer, da impossibilidade de se escrever. Ou seja, Lacan persegue o real, o traumático. Então, o que quer dizer “come teu Dasein”, (Lacan, 1998/1958, p. 45), frase de “O Seminário sobre ‘A carta Roubada’” que inspirou a livraria do XXIIIEBCF?

Miller (2011/1989), em “Banquete dos Analistas”, entende que aquela frase se refere à maneira como Lacan formulou a tarefa do analisante, que rói o osso de sua existência. Miller nos lembra que Lacan dizia que a análise não seria um descanso (repos) mas, sim uma refeição (repas). Fazendo alusão ao banquete de Platão, no qual os bem-aventurados comem a pão dos anjos, e os demais comiam as migalhas que caiam dessa refinada mesa. Miller utiliza dessa metáfora para dizer que ele próprio só pode oferecer ao seu público as migalhas recolhidas de Freud e Lacan e lança a pergunta: do que se come no banquete dos analistas?

O próprio Miller assinala que é duvidoso que se coma o pão dos anjos em uma análise, mas nos sinaliza que a tese de Lacan – que sabia que a análise se tratava de algo da refeição – é que em uma análise se come teu Dasein. O que parece ter relação com a mensagem que o analisante recebe de forma invertida e dos significantes que o “alimenta” e marcam seu destino.

Então, é esse o convite da Livraria do XXIIIEBCF: venham para o banquete dos livros se alimentar dos significantes que buscam os limites do dizer, das letras que bordejam o ilegível e que, desde muito tempo, já marcam o corpo de cada um!


Referências
  • Lacan, J. (1985/1972-3). O Seminário livro XX: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
  • Lacan, J. (1998/1958). O seminário sobre “A carta roubada”. Em J. Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
  • Miller, J.-A. (2011/1989). El banquete de los analistas. Buenos Aires: Paidós.
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POR ONDE ANDARÃO AS HISTÉRICAS DE OUTROURA? UM ESTUDO LACANIANO SOBRE AS HISTERIAS

R$ 60,00

Neste estudo lacaniano sobre as histerias, retoma-se a leitura freudiana à luz do ensino
de Lacan, no qual a histeria se desdobra em discurso histérico, linguisteria, histeria rígida,
histeria perfeita e, finalmente, em uma apresentação a partir da clínica nodal, que leva à hipótese
de uma histeria sinthomática.

Palavras chaves: Histeria, Freud, Lacan, Histeria Rígida, Histeria Perfeita, Histeria Sinthomática

Esgotado

A NEUROSE OBSESSIVA NO FEMININO

R$ 40,00

As elaborações sobre a neurose obsessiva no feminino apresentadas neste livro são frutos de uma pesquisa realizada sobre a neurose obsessiva nas mulheres, por um lado, e a relação da neurose obsessiva com o gozo feminino, por outro, tendo como horizonte uma discussão sobre a queda do falocentrismo e suas consequências para a psicanálise.

Autora: Elisa Alvarenga

A distinção do autismo

R$ 40,00

Rosine e Robert Lefort abordam o autismo a partir de referências clínicas que lhes são asseguradas pelo ensino de Jacques Lacan. A clínica verifica a medida dessas referências. Como os analistas não podem deixar de fazer, Rosine e Robert Lefort sustentam esta orientação do lugar que lhes é próprio: confrontados a um autista, eles levam a sério seu estatuto de sujeito, ou seja, de ser falante. Eles assumem, desse modo, a transmissão de sua experiência clínica, da qual prestam conta incansavelmente, como seus trabalhos precedentes o atestam.

Palavras-chave: autismo, psicanalise, autista; clínica, relicario

A DROGA DO TOXICÔMANO

R$ 49,00

UMA PARCERIA CÍNICA NA ERA DA CIÊNCIA.

O enfoque psicanalítico das relações que o toxicômano estabelece com a droga situa-se no encontro de uma variada gama de problemas e impasses conceituais, em que o debate sobre sua delimitação como uma categoria clínica dotada de especificidade própria se destaca de maneira decisiva.
Palavras-chave: toxicomania, psicanalise, relicário, drogas, clínica.

A NEUROSE OBSESSIVA NA ATUALIDADE.

R$ 50,00

O livro A Neurose Obsessiva na Atualidade apresenta ao leitor uma chave que pode abrir, não todas, mas uma ou outra porta de acesso à questão tão espinhosa e delicada da experiência do fim de análise do obsessivo. O livro traz alguns encaminhamentos que coroam numa nova forma de atuar do psicanalista, mediante uma prática orientada pelo sinthoma.

Palavras Chaves: Neurose Obsessiva, Psicanálise, Sintoma

A SUPERVISÃO (CONTROLE) NA FORMAÇÃO DO PSICANALISTA

R$ 40,00

“A supervisão não se confunde com o trabalho de construção do caso clínico. Um analista praticante pode se endereçar ao supervisor movido por uma dificuldade com o diagnóstico, dificuldade que, como se sabe, tem consequências sobre a direção do tratamento. Porém, segundo uma outra perspectiva, é possível dizer que a supervisão deve incidir sobre o supervisionando, sobretudo quando a posição subjetiva deste se apresenta em dificuldade para a leitura do caso e para a consequente produção do ato analítico“.

 

 

A TRANSFERÊNCIA NA PSICOSE: UMA QUESTÃO

R$ 50,00

A autora faz um percurso teórico/clinico retomando as elaborações de Freud e de Lacan sobre o tema  da transferência, no intuito de indagar seu alcance e seus limites no terreno da psicose.

Palavras chaves: Freud, Lacan, transferência, psicose, delírio, erotomania

Esgotado

ACONTECIMIENTOS. ¿El psicoanálisis cambia? ¿Qué es lo nuevo?

R$ 60,00

Introducción ………………………………………………………………………….. Ruth Gorenberg

El tiempo del acontecimiento ………………………………………………….. Jacques Alain Miller

El acontecimiento crea el tiempo ……………………………………………… Gabriela Camaly

 

Política/Entrevistas

El inconsciente es la política, tres preguntas a Luis Tudanca, Estela Carrera y Silvia Ons por Paula Gil y Graciela Rodriguez de Milano

Entrevista a Alejandro Reinoso sobre Acontecimiento Escuela por Ruth Gorenberg

¿Qué es lo nuevo en psicoanálisis? El psicoanálisis en la Universidad: Desafíos. Susy Epsztein, Inés Sotelo, Dolores Amden por Gabriela Cuomo y Roxana Vogler

 

Acontecimiento género

Reflexiones sobre tres encuentros entre el feminismo y la no relación sexual. (Palais Rouge, 2019) …………………………………………………………………………………….. Eric Laurent

Lo trans, una respuesta más ………………………………………………………..Viviana Mozzi

 

Acontecimientos en un análisis

¿Qué es lo traumático? ……………………………………………………………… Marie Hélène Brousse

Acontecimiento de cuerpo y vivificación ……………………………………. Kuky Mildiner Una lectura sobre el síntoma como acontecimiento de cuerpo……… Esteban Klainer Acontecimiento de cuerpo …………………………………………………………. Angélica Marchesini Lo inútil como artificio ……………………………………………………………… Ivana Bristiel

Acontecimiento arte

Opacidad en el acontecimiento …………………………………………………….. Andrea V. Zelaya

Esgotado

ALAS AL AMOR. UN VUELO PARA IMAGINAR LO REAL

R$ 46,00

Se ao final de sua obra Freud nos adverte acerca de um mal-estar ligado ao ideal de sua época, sua queda emblemática, hoje assistimos a outro mal-estar. Esse atribuído ao primado do discurso capitalista, mestre do saber, impõe ícones, modalidades de consumo, um excesso que estraga a eleição singular. Apogeu desse mais de gozar que nos advertira Lacan. É assim como o amor aparece desbussolado sem causa, pois esse excesso tampona o vazio. Diante desse impasse inquietante, nossa proposta se volta para uma nova operação do amor. Uma nova rotação do discurso de amor para Uma mulher. Essa uma, “não toda” que se aproxima do nada, que ao encarnar esse real, é sintoma.

Leonardo Gorostiza

AMORES LOUCOS. A DEVASTAÇÃO MATERNA E NAS PARCERIAS AMOROSAS

R$ 45,00

Para Freud, a devastação estaria relacionada ao destino do falo na menina. Lacan avança mais além dessa articulação fálica, ao perceber que o falo não satura o campo do gozo na sexualidade feminina. O termo devastação aparece como consequência da inexistência de um significante que defina A mulher. Neste livro, o depoimento de um passe e a análise de um romance literário revelam algumas possíveis saídas para a devastação, no caso de qualquer sujeito que se depare com a ausência do significante d’A mulher.

Palavras chaves: gozo fálico, gozo feminino, devastação, parcerias amorosas