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    Argumento

    Dizer-se menino, dizer-se menina, dizer-se pais: qual aventura?!

    ENCONTRO CIEN – NRCEREDA 2021

    Dizer-se menino, dizer-se menina, não parece se dar por definido com facilidade quando se trata da sexualidade e das formas de gozar, questão cuja complexidade se amplifica nesta época.

    Ao que chamamos um “dizer” em psicanálise? Não se trata daquilo que se desprende nos ditos, nas palavras – que se diferencia de sua literalidade -, mas sim do que está capturado nesses ditos, que pertencem a outro campo, inapreensível pelos significantes, que habita em cada um e que chamamos de gozo.

    Entretanto, para estruturar-se como falante é necessária a entrada na dimensão significante, que é a da linguagem. É por isso que dizemos que quando chegamos ao mundo, o Outro nos recebe e, enquanto tal, somos falados por ele, de quem dependemos para esse processo de estruturação. Mas há algo além do Outro, enigmático, que requer outro modo de processo constitutivo, pois concerne a esse campo outro.

    Com o dizer-se introduzimos aquilo que de cada criança como sujeito escapa ao que o Outro estrutura e nomeia: trata-se da captação de uma dimensão estrangeira à linguagem, a do gozo, sempre traumática, em relação a qual cada um deve fazer uma escolha. Como isso ocorre em relação à posição sexuada? Quando? Não se trata de tempos evolutivos, cronológicos, mas sim de uma temporalidade sempre única para cada um. O tempo em que se produz esse despertar, que toca o corpo, de algo que toca o limite do dizível. Este algo vai além, em certas ocasiões não sem os nomes tomados do desejo dos pais ou das identificações ao Outro surgidas do desejo dos pais. A partir disso, cada menina ou cada menino podem inventar aí uma resposta singular.

    Por outro lado, dizer-se pai ou mãe não é tão evidente neste momento como se poderia supor e abrem-se outras perguntas. Se o que cada sujeito passa a nomear singularmente é seu desejo de advir pai ou mãe, de assumir-se como tal, como subjetivar, a partir do trabalho analítico com a criança, não sem surpresa, seu lugar? É possível articular o amor, o gozo e o desejo nesse advir pai ou mãe?

    A aventura, então, nos remete aos caminhos que se percorrem nessa busca. Para os meninos e meninas, os pais – se existem – são um ponto de partida, certamente, mas também ocorrem alguns encontros que vão tecendo uma trama, uma rede, nos consultórios ou nas instituições que os recebem.

    Miller em “A criança e o saber”[1], sublinha como os diferentes discursos tentam manipular, dominar e fazer de cada criança um sujeito a ser educado. O discurso analítico, por sua vez, preserva a condição de cada um como sujeito inventor de seu próprio dizer-se, também no que que diz respeito a sua condição sexuada.

    Nesse sentido, devemos considerar a posição que melhor convém ao analista para que a criança possa construir a série de respostas a sua questão mais íntima. E o trabalho dos profissionais de diferentes disciplinas que se ocupam das crianças – para quem elas dirigem suas perguntas, desdobram suas respostas – como sujeitos que põem em jogo seus saberes e se encontram com impasses em relação ao que fazer em muitas ocasiões. Um trabalho das crianças e seus pais, não sem os outros. Uma via que nos convida a extrair o inédito do encontro.

    Nessa perspectiva múltipla, variada, abrimos o trabalho de interrogações sobre o surgimento desses dizer-se únicos e singulares, em cada caso.

    Em relação às questões de mais atualidade que concernem o debate sobre as diversidades sexuais: é um tema ao qual nos aproximamos com cuidado, com mais perguntas que respostas, que oferecemos – como a todo os demais – ao trabalho da Conversação.


    [1] MILLER, Jacques-Alain. A criança e o saber. Em: CIEN-Digital, n.11, jan. 2012. Disponível em: https://ciendigital.com.br/