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EDITORIAL

Sérgio de Castro

Caros colegas, leitores da C.E.,

A recém-empossada Diretoria Executiva da Escola Brasileira de Psicanálise inicia seus trabalhos no momento em que nossa última Assembleia Geral acabava de aprovar seu novo Estatuto. Junto dele, foram aprovadas também as propostas, que passaram a ser chamadas de Nova Geografia, de reestruturação das denominadas Delegações da Escola.

Parece-me importante que nos detenhamos um pouco em tais propostas uma vez que o funcionamento que se pretende implementar ao longo dos dois próximos anos repercutirão – tanto quanto veiculam – questões muito além de uma simples reorganização espacial das antigas Delegações.

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ECOS

XIII CONGRESSO DE MEMBROS DA EBP

O XIII Congresso de membros da EBPO jogo das paixões na experiência analítica, ocorrido entre os dias 12 e 14 de abril na cidade de São Paulo, foi um momento de intensa produção epistêmica, política e clínica. A tarde de conversação se destacou como um momento singularmente vivo, encontrando seu ritmo e seu modo de acontecer ao longo das colocações e intervenções dos colegas, que se estenderam até o final do dia. Os dois eixos propostos para a conversação (“O jogo das paixões na análise” e “O jogo das paixões e a escola sujeito”) produziram elaborações e questões valiosas, que ressoaram entre os presentes, e seguem produzindo ecos. Nesta nova rubrica da Correio Express, acolheremos textos e comentários de colegas a partir de questões que os tenham tocado em nossos eventos. A proposta é a de, ao deixarmos decantar os efeitos dos encontros, recolhermos alguns dos sedimentos produzidos em nossa comunidade, um a um. Diferente da prática da resenha, essa rubrica se pretende um espaço para que deixemos ressoar os ecos e, com isso, registrar o que segue, como questão ou como elaboração.

Conversação e comunidade analítica

Flávia Cêra

A conversação seria um meio de fazer existir uma comunidade? E que comunidade é essa? Em torno do “jogo das paixões” nos reunimos no Congresso de Membros em São Paulo para trabalhar neste formato que, embora tivesse um centro, a mesa, tinha também outros lugares: os textos que circularam previamente entre nós como ponto de partida para a conversa e a lida com as paixões de cada um.

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Sobre o impossível de suportar

Maricia Ciscato

A questão da segregação nos interroga hoje de modo pulsante a cada vez em que nos deslocamos pelas ruas da cidade, a cada olhadela nas notícias locais ou mundiais, a cada final de dia de trabalho no consultório. A cidade do Rio, em especial, tem atravessado dias muito difíceis, em uma sequência (que parece infinita) de notícias de perdas e violências…

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PORVIR

Está no “porvir” a potência daquilo por trás da falta do que tem lugar de representação. É esse o lugar-tenente que, vez ou outra, nos desperta do sonho do sentido, é esse o real que comanda nossas atividades, e é a psicanálise que o designa para nós. Essa é nossa força pulsante, pulsional, o Trieb sempre porvir.1
O porvir remete-nos à fala última de Macabéa, dita, nas letras de Clarice, “bem pronunciada e clara”:
— Quanto ao futuro.2
É uma afirmação entre dois pontos indizíveis, que assinala a força do presente por não negar o furo – dele, carrega o ato criativo. Assim como Picasso do “Eu não procuro, acho”,  Macabéa encontra aí o delimitado que expande os horizontes.
É do estatuto paradoxal do trauma, que irrompe e se repete, que vamos construindo, em torno do furo,  o futuro, nossas próximas atividades, orientados por essa repetição que demanda a busca de uma significação sempre nova e jamais esgotada.
Nesta Correio Express nº11, apresentamos um instigante texto de Henri Kaufmanner em torno de questões levantadas pelo IX ENAPOL, porvir.
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1 LACAN , J. O Seminário, livro 11: os quatros conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 61.
LISPECTOR , C. A Hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p .85.

Nós

Henri Kaufmanner

Na medida em que a Escola, segundo Lacan,1 é um refúgio para os psicanalistas diante do mal-estar, resolvi para essa pequena fala sobre o ENAPOL em nosso Congresso de Membros, compartilhar uma inspiração. Afinal, a vida não anda nada fácil em nosso país. Vivemos, a todo instante, ódio, cólera e indignação, não necessariamente nessa ordem. O Brasil nunca foi um país fácil para se viver, mas reconheçamos, desta vez ele está se superando. Não desconhecemos que o avanço do fascismo é um movimento de escala mundial, mas, a bem da verdade, a criatividade do brasileiro para o melhor e para o pior é sempre muito surpreendente.

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