Agente 16

AUTOR

Vários autores

NÚMERO / EDIÇÃO

#15

ANO

2016


SOBRE O LIVRO

A jovem Marie Bashkirtseff ilustra nossa capa. Marie, nascida na Ucrânia em 1858, teve a maior parte da sua obra destruída pelo nazismo e morreu de tuberculose aos 25 anos. Aos treze anos, mudou-se para Nice e começou a escrever seu diário. Através dos dezesseis volumes que o compõem, podemos ler o ardente desejo de ser lida. Guy de Maupassant o fez e manteve com ela, a virgem eslava, longa correspondência. “Estou numa idade”, disse ela que tudo amava, “em que até a morte pode ser prazerosa.” A pintura A reunião, que reproduzimos, pode ser vista no Musée d’Orsay e revela o extraordinário encontro de crianças com o saber de um adolescente nas ruas.

O tema que comanda a organização desse número 16 da Revista Agente é a adolescência. Com ele, homenageamos os adolescentes que dão testemunho do ‘mal de la jeunesse’ nomeado por Lacan e que Carlo Viganó aborda no artigo sobre a crise de identidade que honra este número.

Resgatamos duas conferências memoráveis de Guy Briole durante as XX Jornadas da EBP-Bahia, ocorridas em 2015, sobre a impossibilidade de teorizar a adolescência e a tendência de se construir para ela um supereu sob medida para melhor enquadrá-la. Briole ensina que não só o adolescente é sempre de sua época, senão que até antecipa o porvir.

Mais cinco colegas de outros mares tomam a palavra. Domenico Cosenza elucida a iniciação sexual na adolescência na época do Outro que não existe. Dos tempos do Sturm und Drang e a intensidade romântica até o hedonismo morno contemporâneo, Cosenza aponta a dificuldade em confrontar a inexistência da relação sexual sem o recurso ao véu fantasmático. Gustavo Stiglitz aborda a experiência adolescente e seus outros, sentados no banco dos réus. Resposta singular ao real da puberdade, o autor se detém no cotidiano para extrair os divinos detalhes tal como hoje se apresentam. Bernard Seynhaeve, numa breve entrevista, situa a angústia adolescente tal como se experimentava em tempos de ideais tirânicos e atualiza as novas soluções que os jovens hoje inventam frente ao desabamento do nome do pai. Beatriz Udenio parte de material clínico na neurose obsessiva para aproximarmos das novas figuras do Outro nas redes sociais. Susana Brignoni aborda a relação entre o saber e o corpo a partir do que denomina autoeróticas do saber no mundo virtual.

Também cinco colegas da casa se fazem presentes neste número. Marcela Antelo aborda a maldição do sexo sob a forma do diabo no corpo experimentado na puberdade. Fátima Sarmento parte de Gide para dissecar as dificuldades que a saída da adolescência apresenta e os recursos de que o jovem pode dispor. Benardino Horne se serve do conceito de mutação para abordar o gozo de alíngua, a aceleração temporal e a pulsão escópica para pensar a adolescência de hoje. Luiz Felipe Monteiro analisa a qualidade interpretante da experiência sonora na adolescência quando o ruído do rock se inclui na construção fantasmática. Analícea Calmon parte do escrito “A significação do falo” para situar as escolhas adolescentes dentro da lógica fálica e diferenciar os diversos impasses que na adolescência se apresentam. Dois breves comentários de dois curtas-metragens encerram o número, aportados pelo Núcleo de Psicanálise e Audiovisual do IPB.

Esperamos que a experiência de leitura anunciada nestas breves linhas cause o desejo de nela perseverar. Obrigado aos nossos leitores.

Marcela Antelo

ÍNDICE

XX Jornadas EBP-BAHIA (2015)
Adolescência e adolescente: o impossível do desejo, Guy Briole
O diabo no corpo, Marcela Antelo

Convidados estrangeiros
Jacques Lacan e a crise de identidade, Carlo Viganò
Iniciação na adolescência. Entre mito e estrutura, Domenico Cosenza
As angústias do adolescente de ontem e de hoje, Bernard Seynhaeve
A experiência da adolescência, Gustavo Stiglitz
Autoerótica do saber nas adolescências, Susana Brignoni
Um novo outro, Beatriz Udenio

A gente
As dificuldades na saída da adolescência, Fátima Sarmento
Mutações na puberdade, Bernardino Horne
A gente se vinga no rock, Luiz Felipe Monteiro
A significação do falo e os impasses na adolescência, Analícea Calmon

Bordas
Núcleo de Psicanálise e Audiovisual
Apresentações de autores
Normas de Publicação

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