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Para que viva a psicanálise, contra o cognitivismo e a quantificação generalizada



Caros Colegas,

Nossos dias parecem seguir o lema “o que não aparece, desaparece”. Estamos, porém, longe do iluminismo, pois ao fazer deste mote a lei de uma sociedade, entramos em tempos dos mais obscurantistas da humanidade. Apenas um fascínio mistificado permite entender a exigência generalizada de tomar como único sentido válido, para cada uma de nossas ações, o fabricado pelos números. Tal como na medicina baseada em evidências, só existe o que puder ser colocado em números e aceito em consenso. Na economia, na medicina, nas universidades e nas escolas, todos devem se dobrar à injunção de avaliação universal. Faça parte desta grande legião que concorda em “objetivar-se”, diz o mote.

Nos dias 9 e 10 de fevereiro 1300 pessoas se reuniram em Paris, no Grand Meeting da Mutualité, tendo como veículo principal a revistsa Le Nouvel âne (a imagem de nossa home é a da capa de seu número 8) para manifestar-se contra essa ditadura da cifra. Inúmeros membros da Associação Mundial de Psicanálise, dentre eles vários da EBP, estiveram presentes. Eles sustentaram que nem tudo pode ser colocado em números, que as cifras podem dizer muitas coisas, mas não necessariamente o que importa. Que seja dito com J. A. Miller: a cultura dos quantificação, que não existe sem a da avaliação, é uma seita.

As ciências cognitivas, ou neuro ciências são uma área promissora e interessante da pesquisa científica. O cognitivismo, por outro lado, é uma extrapolação frágil de suas hipóteses apenas para dar ares de novidade e nobreza teórica à velha terapia comportamental, igual a ela mesma desde Pavlov. Recusamo-nos a reduzir a experiência da linguagem à comunicação, as relações humanas ao contrato, as emoções à sinapse. Avaliar tem sua importância, mas a avaliação não informa a não ser o que a ela se pede. Saberemos quantas vezes alguém sorriu, mas saberemos quantas vezes alguém foi feliz?

Nossos lida clínica talvez seja a mais diretamente implicada no sofrimento causado pelo extermínio da poesia em um mundo cada vez mais sustentado pela utilidade direta. Nossa Escola se reúne a este movimento "para que viva a Psicanálise, contra o cognitivismo e a quantificação generalizada", que certamente terá repercussões no Brasil. Engajamo-nos neste trabalho em que cada um terá que encontrar a melhor expressão segundo seus lugares e contextos específicos. Para começar, convidamos cada um de vocês: membros, aderentes, correspondentes, alunos de institutos, participantes de cartéis e jornadas, a assinar a lista de adesão ao movimento desencadeado por Jacques-Alain Miller em prol da Psicanálise.

Basta visitar o destaque de nosso site.

Lá vocês encontrarão os meios para link para enviar uma mensagem de adesão. É possível também registrar seus comentários, que serão publicado em um blog em nosso site. A lista de adesões será publicada na lista internacional da AMP: UQBAR e transmitida às autoridades francesas.

Lá vocês encontrarão também os links necessários para que conhecer mais sobre este movimento


Cordialmente,

Elisa Alvarenga             Marcus André Vieira

Presidente da EBP        Diretor da EBP



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