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OPÇÃO LACANIANA - Edição Especial Número 50
Angelina Harari


Chegamos ao qüinquagésimo número de Opção Lacaniana. Por esse marco, homenageamos nossos leitores com esta edição especial. Embora não se trate, longe disso, de um culto imbecil ao número, denúncia feita por J-A Miller a respeito do estado atual das políticas de saúde pública, em especial na França.

Alcançar a marca dos 50, para uma revista de psicanálise, significa bem mais que um número: é o reconhecimento do trabalho efetuado por uma comunidade constituída em torno de uma episteme. A comunidade da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP) sustenta esse trabalho, mas também os colegas membros da Associação Mundial de Psicanálise que contribuem com a sua produção. O Campo Freudiano, por sua vez, com suas redes de pesquisa, representa uma fonte de suma importância neste periódico.

Esta edição especial está contemplada por dois textos de Jacques Lacan, ambos inéditos em português, o suficiente para assinalar a importância com que este número se reveste.

A escolha do texto da rubrica Orientação Lacaniana também tem sua razão de ser, um comentário do ultimíssimo Lacan, feito por J-A Miller, em uma aula especial do seu curso, pós-março de 2007. Essa rubrica se faz presente no sumário desde agosto de 1996.

A contingência, que sempre acompanhou a confecção dos sumários não faltou nesta edição especial: desta vez publicamos o texto do primeiro testemunho da Analista da Escola (AE) da AMP, a primeira nomeada por um cartel do passe brasileiro, Ana Lucia Lutterbach-Holck. O texto vem acompanhado do comentário de Marie-Hélène Brousse, feito durante as jornadas da EBP-Rio, em novembro/07.

E, para completar tão interessante sumário, reeditamos um livro, que se tormou uma referência da AMP: “Scilicet dos Nomes do Pai”, um dicionário à maneira filosófica de Voltaire. São 100 entradas ordenadas alfabeticamente, distribuídas entre diversos colegas da AMP. E cada autor procurou tomar um aspecto do tema e problematizá-lo, sem pretender um percurso exaustivo. A idéia do dicionário Scilicet, segundo seus idealizadores (Graciela Brodsky, Éric Laurent e Antonio Di Ciaccia), se fundamenta na Enciclopédia chinesa que Borges imagina em El idioma analítico de John Wilkins1.

Resta agradecer ao diretor do periódico, Jacques-Alain Miller, que com sua experiência, dedicação incansável e amor, faz com que esta publicação sempre se mantenha à altura dos tempos, ou seja, nas palavras de Lacan: que ela alcance em seu horizonte a subjetividade de sua época.2

1 Borges, J. L. (1999). “O Idioma Analítico de John Wilkins”. In Obras Completas, Vol II - 1952-1972. São Paulo: Editora Globo.
2 Lacan, J. (1998). “Função e Campo da Fala e da Linguagem”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p.322

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