FALASSER - NÚMERO 04
capa Falasser nº. 04
 223  Edição 03            Edição 05  sss

m EDITORIAL


O Campo Freudiano inaugura um novo tempo, com a recente Jornada da ECF, modelo radicalmente restaurado de fazer jornadas. Ventos renovadores sopraram por todos os lados, dissipando nuvens que obscurecem o futuro da psicanálise e fornecendo a bússola do “fio do prumo” das velas do ensino de Lacan.

 “Um fio de prumo”[1]: é assim que Miller nomeia a orientação da qual se utilizou Lacan, para criar sua Escola. Esse fio, conjeturado, objeto de aposta, tem a ver com o desejo. Desejo de que os analistas de orientação lacaniana não percam de vista, a psicanálise pura, supra-sumo da formação. Neste sentido, propõe Miller, um “retorno à Lacan”.

Inspirados, pois, nestes bons ventos do ensino de Lacan e visando contribuir para a manutenção da psicanálise entre os que a tomam como referencial na formação, é com imensa alegria que a Delegação Paraíba lança o quarto número da sua Revista – a Falasser – com rubricas que priorizam o que tem sido, desde o seu primeiro exemplar, a via da Orientação Lacaniana.

Se nos detivermos já no sumário, vamos nos deparar com temáticas que vão desde a psicanálise pura, passeando pela Orientação Lacaniana, pela solidão do analista, até cenários da atualidade na clínica com crianças e adolescentes, destacados nos dois seminários proferidos na VIII Jornada, por Maria do Rosário do Rêgo Barros, assim como nos textos dos membros da DPB.

Carlos Augusto Nicéas, um dos responsáveis pelas traduções do Seminário de Orientação Lacaniana para o português, inaugura a rubrica Entrevista, evidenciando, entre outras coisas, os pontos cardeais da orientação, com a preocupação de que o analista não perca “o norte” da formação.

O verdadeiro caso clínico, segundo Lacan, é o que escreve o  sujeito, a partir de sua própria experiência. Neste número, somos brindados com um texto de Ana Lúcia Lutterbach Holk, AE em exercício, onde ela estabelece, a partir de seu depoimento de passe, a função da fantasia feminina, o final de análise e o semblante, tema do próximo Congresso da AMP, em Paris, em abril de 2010.

Francesc Vilà, colega da Escuela Lacaniana de Psicoanálisis, em Barcelona, toma Miller para referir-se à Escola, como instrumento para a psicanálise e progresso do discurso analítico, espaço onde se congregam o que se faz junto e o que se faz só.  A partir de seus argumentos, ele traz um texto onde propõe aparatos contra a solidão do analista, que não é uma solidão do pathos, mas uma solidão produtiva que tem a ver com um saber y fazer que anima o affectio societatis da comunidade de analistas.

A rubrica ´A criança como objeto a na clínica e na civilização: novas responsabilidades´ nos provoca a refletir não apenas acerca dos problemas mais atuais aos quais o psicanalista é convocado a responder, como também acerca das produções da cultura que constituem uma das modalidades do objeto a, como afirmava Lacan. Assim, estão aí reunidos, textos apresentados pelos membros da Delegação Paraíba, durante a VIII Jornada, em junho desse ano, realizada na cidade de Campina Grande. Atentos à leitura da revista, observamos o empenho de nossa comunidade analítica, em abordar essa temática sob o prumo do ensino de Lacan - não apenas para os presentes no evento, como também aos leitores – ao mesmo tempo em que a pergunta que permeia a prática, atravessa cada texto. Pergunta que, longe de fechar-se em uma resposta sobre o fazer na clínica, abre-se a mais questões, que dão continuidade ao trabalho a cada ano em nossa delegação. Assim, fragmentos de casos clínicos também ganham espaço na revista…

Tudo isto envolto pela suavidade e beleza de ´Cidade ao luar´, tela de Analice Uchoa, artista da terra, que dá um colorido especial à revista. Dedicada à arte naïf, sua inspiração vem da cultura popular. Em seu acervo, predomina o azul, que serve como pano de fundo a paisagens popularescas e cenários ingênuos.

Ler é um ato que permite encontros. Uma publicação que congrega textos de autores vários, convoca diversos a escrever, alguns a debater, uns a editar... Processo criativo que detona um movimento em torno de um objetivo maior, o de contribuir para a manutenção da psicanálise, neste caso, através de uma marca, escrita.

Convido-lhes, pois, a desfrutar da leitura da Revista, como suplemento à formação, condição para seguir na via do que se espera de um analista, mas também como antídoto à solidão.
Finalizo com Marguerite Duras, em ´Escrever´:
a solidão, a solidão também significa: ou a morte ou o livro”*.

 

Mª Cristina Maia
Editora

[1] Miller, J-A. Coisas de Fineza, lição de 12 de novembro de 2008. Inédito.





SUMÁRIO

m EDITORIAL

m ORIENTAÇÃO LACANIANA

Novas ficções, novas responsabilidades / New fictions, new responsabilities  /
            Maria do Rosário do Rêgo Barros
A criança e o imprevisível /
Maria do Rosário do Rego Barros


m ENTREVISTA

Entrevista com Carlos Augusto Nicéas  /  Interview / 


m ARTIGOS
A SOLIDÃO DO ANALISTA
Os aparatos da contra-solidão e o affectio societatis na Escola  /  Displays against lonelyness and affectio societatis at School  / 
            Francesc Vilà

 

m SINT(H)OMAS E SEMBLANTE

A fantasia feminina e o semblante /
Ana Lúcia Lutterbach Holck

 

m A CRIANÇA COMO OBJETO a NA CLÍNICA E NA CIVILIZAÇÃO: NOVAS RESPONSABILIDADES

Com a palavra, a criança!  / 
With the word, the child!
Margarida Elia Assad

As paixões familiares e o infantil: saber, gozo e objeto a  /
Familiar passions and infantile: knowledge, enjoyment and object a
Mª Cristina Maia de Oliveira Fernandes

“Como ensinar ao meu aluno?” - A Psicanálise aplicada como norteadora de uma prática educacional  /
“How teaching my pupil?”- Applied psychanalisis like a guide of an educational practice
Ana Cláudia Vasconcelos

A criança entre o pai e o homem  /
Child between the father and the man
Roseana Cavalcanti da Cunha

O adolescente, seu corpo e o confronto com o enigma da sexualidade  /
Adolescent, it´s body and confrontation with the sexuality enigma
Glacy Gonzales Gorski

Sintomatizar o impossível: considerações sobre a clínica com adolescentes  /
Symptomatize  the impossible: considerations about the clinic with adolescents
Cleide Pereira Monteiro

“Não sou tão criança a ponto de saber de tudo”  /
“I´m not so child to know everything”
Sandra de Sousa Conrado

Por uma língua viva na clínica com adolescentes  /
For an alive language in the clinic with adolescents
Cassandra Dias Farias

“Tenho dois papais, como saí da barriga de uma mamãe”: impasses na clínica da homoparentalidade  /
“I have two dads, how did I got out from a mom´s belly?”: impasses in the homosexual parents clinic
Myrna Agra Maracajá Maia

Os dragões de Matheus  /
Matheus´dragons
Alice Silva Tocchetto

A criança de Lacan: um novo estatuto  /
Lacan´s child: a new statute
Vânia Maria Ferreira

 



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