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MOVIMENTO CONTRA A REGULAMENTAÇÃO DA PSICANÁLISE

Desde o ano de 2000, diferentes instituições psicanalíticas brasileiras se reúnem para lutar contra a regulamentação da psicanálise. Desse

modo, alguns projetos de lei que visavam tal empreitada por parte dos deputados vinculados a organizações religiosas e outras coligações foramarquivados. Não bastasse essa batalha, via constante vigilância, somaram-se a isso as propostas de formação psicanalítica absurdamente calcadas na impostura, provenientes de sociedades que se intitulam com o nome de “Psicanálise”, oferecendo diplomas e “garantindo” a formação via internet, por exemplo.


Como veem, o vácuo que nos interessa manter entre a Psicanálise e o Estado, na contemporaneidade, está prestes a ser preenchido com essa manifestação desenfreada que visa a garantia do ser pela cifra – dessa vez, de analistas, os analistas de papel, se podemos dizer assim. O desafio continua sendo o de polarizar aquilo que é da ordem da causa analítica e aquilo que é o ideal social, revestido hoje pela demanda de cifras e rapidez já no que toca à formação dos analistas, os quais seriam produzidos em série, sob a dimensão de critérios universais.
Se a ética da psicanálise se opõe a esses ideais sociais é porque a experiência adquirida pelo sujeito, depois de um longo tratamento das suas ilusões e ficções particulares, leva-o a conhecer a maneira de se virar com aquilo que um dia lhe fez mal, mas que lhe pertence. Leva-o, por fim, a usufruir as próprias invenções que um dia sua neurose passou a impedir. Esse resultado não é calculável, adaptado num tempo, tampouco inserido numa lógica fálica em que qualquer coisa ou candidato serve, desde que cumprida uma carga horária para a autorização de uma prática analítica. Portanto, podemos dizer que o par “regulamentação-avaliação” seria um novo sintoma revestido de uma política social, na qual a suposição de saber é reduzida a zero ou limitada à quantificação.

De tal maneira que somos convocados, no mínimo, a traduzir, sob a forma de uma batalha, uma das questões que se apresentam nesse século – a qual curiosamente recai sobre a formação e, por conseguinte, sobre a prática da psicanálise. Para além de elucidar a razão de saber porque a religião, a política social e o “virtual” ousam se apropriar do terreno da psicanálise, passando um trator na Análise Leiga de Freud e na Proposição de 09/10/67 de Lacan, há que se dissolvê-la, essa estúpida e inaceitável razão, a qual se coloca em detrimento da estúpida e inefável existência do sujeito, por fim. Entre o trator e o sintoma (revestido de uma política social) deve haver uma interpretação: a clínica é a política, o inconsciente é a política – formulação lacaniana que Miller retoma em “Intuitions Milanaises” (2002), da qual nos apropriamos para dar lugar à consequente ação da psicanálise na civilização – sua extensão –, presente no mundo a partir do que é a política da psicanálise.

Colocamo-nos, portanto, a postos. O inédito aqui se demonstra para isso: reuniões com diferentes instituições psicanalíticas, em torno de uma causa não tão comum.  
Há uma década, assim, um movimento local e outro nacional giram em torno dessa luta contra a regulamentação da psicanálise, respectivamente:

- O Movimento Mineiro de Psicanálise (MMP), com reuniões bimestrais realizadas a cada vez numa instituição diferente (oito instituições psicanalíticas em Belo Horizonte são integradas ao MMP) no qual a EBP-MG é representada por Francisco Paes Barreto e Samyra Assad. Através do MMP foi construído um site (http://www.mmpsicanalise.org/), para o qual convidamos os colegas, a fim de saberem de todo um histórico inerente a esse trabalho, com as devidas informações sobre os projetos de lei derrubados, artigos publicados, eventos realizados, manifestações na mídia, etc.;

- A Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras, com reuniões semestrais no Rio de Janeiro, onde várias instituições são representadas. A EBP foi anteriormente aí representada por Romildo do Rêgo Barros. Da Articulação, portanto, um livro foi publicado: O ofício do psicanalista – Formação X Regulamentação", ed. Casa do Psicólogo, 2009, podendo ser adquirido através do site:  http://www.casadopsicologo.com.br/oficiodopsicanalista.pdf

Com o prazer e a honra de agora passar a representar a EBP nas reuniões da Articulação, convido aos colegas para nos unirmos nessa luta.

 

Samyra Assad
Comissão Nacional da EBP junto à Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras




 

 

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