CARTÉIS


Cinco variações sobre o tema da “elaboração provocada”-" J.A.Miller

O cartel - Stella Jimenez

No cartel se pode obter um camelo - Maurício Tarrab

O cartel e o discurso analítico - Laureci Nunes

O cartel e a Escola - Cristina Drummond


O QUE É UM CARTEL?*

O cartel é uma invenção de Lacan que visa manter na Escola um trabalho permanente de investigação em relação à psicanálise. Esse dispositivo adota como princípio a elaboração apoiada em um pequeno grupo, cria, porém, por sua estrutura e funcionamento, mecanismos que possam conter os efeitos grupais.
Em 1964 [1], Lacan apresenta pela primeira vez o cartel, entretanto, alguns anos mais tarde, ele fornece com maior precisão os termos de sua formalização:
“Primeiro – Quatro se elegem para prosseguir um trabalho que deve ter seu produto.
Esclareço: produto próprio de cada um e não coletivo.
Segundo – a conjunção dos quatro se efetua em torno do Mais-Um que, embora possa ser qualquer um, deve ser alguém. A seu cargo estará o velar pelos efeitos do empreendimento e provocar a elaboração.
Terceiro – Para prevenir o efeito de cola, deve acontecer a permutação, no término fixado de um ano, dois no máximo.
Quarto – nenhum progresso se esperará, salvo o de por a céu aberto, periodicamente, tanto o resultado quanto as crises de trabalho.”[2]


QUEM FAZ CARTEL?
Os cartelizantes são tanto aqueles que praticam a psicanálise como qualquer um que deseje estudá-la. O que une os membros de um cartel é terem interesse pela investigação de um tema comum. Cada cartelizante delimitará uma questão que se agrega a esse tema comum de onde advém o título do cartel. Cada cartel se compõe de no mínimo três cartelizantes e no máximo cinco, sendo quatro a justa medida.


QUAL A FUNÇÃO DO MAIS-UM?
O Mais-Um, que é escolhido pelos cartelizantes, também é um participante do cartel, mantendo, como os demais, uma questão dentro do tema mais amplo de trabalho. Ele, porém, deverá sustentar uma função específica de zelar pelo trabalho dos cartelizantes, incentivando a elaboração de cada um e favorecendo a exposição dos produtos do cartel. O Mais-Um é também o elo com a Escola e responde pela orientação lacaniana no cartel.  


O QUE UM CARTEL VISA?
O “produto de cada um” e um não um produto coletivo é o que se espera ao final de um cartel. Com esse produto pretende-se que cada cartelizante possa constatar e transmitir o que foi tocado na sua relação com o saber analítico. Os produtos do cartel podem ser expostos em espaços diversos da Escola, sendo a Jornada de Cartéis um momento privilegiado de se colocar a céu aberto as elaborações feitas a partir de tal dispositivo.


COMO DECLARAR UM CARTEL?
Cabe ao Mais-Um inscrever o cartel junto a Escola. A inscrição é feita pelo site da EBP, preenchendo-se uma ficha on line, onde serão declarados os seguintes dados: o título do cartel, a data de constituição, os dados dos cartelizantes e do Mais-Um, assim como a escolha por uma das seis rubricas que define a orientação de trabalho daquele cartel:
1. Leitura: conceitos fundamentais
2. Clínica: teorias e práticas
3. Psicanálise e instituição
4. Conexões
5. Política
6. Centros de Atendimento

A partir da inscrição, efetivada pela aprovação do diretor/coordenador de cartéis de cada Seção ou Delegação ao qual o cartel está vinculado, ele passa a constar no anuário de cartéis também veiculado no site da EBP.

COMO SE DÁ A DISSOLUÇÃO DO CARTEL?
Num prazo estabelecido por Lacan de um, no máximo dois anos, o cartel dissolve-se. Tal conclusão é necessária, pois permite evitar a inércia típica de grupos de trabalho, que acabam por obstaculizar a produção de um novo saber para o sujeito.
Um cartel se dissolve também pelo desligamento, em qualquer tempo, de um de seus membros. Como com o nó borromeano, quando um laço se desfaz, desfaz o próprio nó.
Cabe ao Mais-Um participar a dissolução do cartel à Escola.

Helenice de Castro*
[1].LACAN, J “Ato de fundação”. Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.
[2]LACAN, J. D’écolage, du 11 mars 1980.

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