Amarração

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Caros colegas,

A Escola Brasileira de Psicanálise repudia o terrorismo por ser indigno à condição humana.

É inaceitável a barbárie decorrente do fanatismo religioso.
Lamentamos profundamente o cancelamento das 45 Jornadas da ECF.

A Escola Brasileira de Psicanálise, comovida, expressa os sentimentos de solidariedade à França, aos amigos franceses e manifesta suas condolências para todas as famílias das vítimas.

E aos colegas brasileiros que estão em Paris, desejamos que eles estejam bem, permaneçam em segurança junto com o povo francês e que retornem em paz para o Brasil.

Cordialmente,

Sérgio de Campos – Presidente da EBP
Ana Lúcia Lutterbach Holck – Diretora da EBP

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“Paris está num silêncio profundo  entrecortado por sirenes”, diz psicanalista brasileiro *

Quando os atentados começaram, o psicanalista brasileiro Jorge Forbes estava jantando com o colega francês Jacques Alain Miller. Ele relata como foram as primeiras horas em Paris após os ataques terroristas

O psicanalista paulista Jorge Forbes está em Paris, onde participaria neste sábado (14) de um congresso com mais de 3.400 participantes, suspenso oficialmente após os atentados que mataram mais de uma centena de pessoas na capital francesa. “Paris acordou em silêncio profundo entrecortado por sirenes”, diz o psicanalista. “Não dormi. A cidade está tomada por muitas barreiras policiais e o clima é de sideração.” A cidade amanheceu cinza, com temperatura de 12 graus e pouquíssimas pessoas na rua. “Os museus e faculdades estão fechados. Vejo da janela algumas lojas abertas”, diz Forbes. “Muitas pessoas ainda desaparecidas são procuradas por amigos. Nas redes sociais, as pessoas tentam localizar amigos”

Forbes estava jantando com o psicanalista francês Jacques-Allain Miller, genro de Jacques Lacan, no restaurante Marco Polo, na rua Sain-Sulpice, no sexto arrondissement, quando começaram os atentados. “Soubemos da notícia no momento que uma pessoa na mesa ao lado recebeu um telefonema sobre os atentados e ficou transtornada”, conta o psicanalista. “O restaurante foi rapidamente esvaziado, assim como as ruas. Deixei Jacques Allain Miller a poucos quarteirões do restaurante, onde ele mora, e voltei de carro para as imediações da Torre Eiffel, onde estou hospedado. Fui parado nas barreiras policiais, fortemente armadas. Na noite de ontem, as informações eram confusas, até porque ninguém sabia de nada. Aqueles fatos terríveis estavam acontecendo e não se tinha ideia em que momento terminariam.”

Forbes diz que o clima é de muito temor. “Claro que as pessoas estão com medo. Elas se telefonam, pedem uns aos outros para não sair às ruas”, diz. “Fica difícil o discurso politico de nada temer, pouquíssimas horas depois da tragédia que aconteceu, e dez meses depois do massacre no jornal Charlie Hebdo. Estamos ainda a duas semanas da Conferência do clima, a COP 21, onde estarão todos os chefes de Estado. Mas antes do clima ecológico, o que as pessoas querem discutir é o clima humano. E esse não tem previsão do tempo.”

O psicanalista permanecerá em Paris na próxima semana para reuniões, embora o congresso tenha sido cancelado. “Agora estamos todos sob o impacto da tragédia. Pretendo sair às ruas hoje e encontrar amigos franceses para tentarmos melhorar este estado atônito”, diz Jorge Forbes. “A primeira reacão a uma tragédia dessa proporção é a falta de referência e parâmetros. Agora temos que tentar elaborar. Trocar sentimentos e preparar o amanhã”, analisa o psicanalista. “Não seremos os mesmos depois desses atentatos em Paris. Ele é equivalente aos atentatos contra as Torres Gêmeas, no 11 de setembro. Temos agora que contruir este amanhã.”

Para Jorge Forbes, o discurso do presidente François Hollande, de vigança impiedosa aos ataques do Estado Islâmico, não traz muito alento. São as mesmas declarações dadas 10 meses antes, no dia do atentado ao jornal Charlie Hebdo. “Não sei o que ele deveria ter falado, mas falar a mesma coisa 10 meses depois mostra o despreparo absoluto do governo francês para enfrentar os terroristas. O fato é que Paris já estava em estado de alerta há meses.”

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* Texto publicado pela jornalista Gisele Vitória, diretora de núcleo das revistas ISTOÉ Gente, ISTOÉ Platinum e Menu e colunista de ISTOÉ.

Disponível em: http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/41_GISELE+VITORIA