Sobre o novo DR

por Adriano Aguiar

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Com muito entusiasmo e satisfação, recebi o convite de Ana Lucia Lutterbach Holck para assumir o Diretoria na Rede, nosso querido DR, na nova diretoria da EBP. Lembro-me do quão entusiasmado também fiquei quando, há dois anos atrás, Marcelo Veras anunciou a criação do DR, ao assumir a Diretoria da EBP em Porto de Galinhas. Achei muito aguda a percepção de que era fundamental que a EBP estivesse presente na rede da internet, onde acontecem os debates da cidade hoje. Para o bem ou para o mal, quer queira quer não, a internet é a Ágora de nossos dias. É com muito orgulho que aceito o desafio de dar continuidade ao trabalho que a diretoria anterior começou com o DR.

Nas conversas com a nova diretoria sobre o boletim, avaliou-se que algumas mudanças precisavam ser realizadas. Havia a percepção de que talvez fosse importante fazer um certo trabalho de redução para ganhar em intensão e extensão. Há uma grande profusão de textos que circulam na nossa comunidade através de Veredas, Lacan Cotidiano, as listas locais, etc, o que faz com que tenhamos dificuldade de acompanhar tanta produção. Assim, fiquei encarregado de tentar fazer um DR mais reduzido e com uma linguagem que busque alcançar – mais além de nossa própria comunidade – o leitor interessado no que a psicanálise tem a dizer sobre as questões que inquietam a cidade.

Assim, algumas colunas se juntaram em uma só, como a Extimidades e a EBP Debates, que viraram Extimidade, doravante a cargo de nosso colega Gilson Iannini. Territórios Lacanianos, passará a fazer parte da Ação Dobradiça, novo nome escolhido por nossa diretora de secretaria, Fernanda Otoni, para a Dobradiça de Cartéis, em consonância com o tema Ação Lacaniana. Jésus Santiago contribuirá, com todo seu rigor teórico, para a coluna Orientação Lacaniana, já conhecida de todos nós. Nossa colega Flávia Cera será responsável pela arte do DR e Paula Legey terá a missão de dar visibilidade às inúmeras e riquíssimas atividades que ocorrem espalhadas neste vasto Brasil EBP, através da coluna EBP Acontece.

Uma nova coluna no DR – Canal EBP – terá como função elevar a um outro patamar, nossa presença na rede através de vídeos. Na época do Império das Imagens é preciso saber trabalhar com elas. Ninguém melhor do que nosso colega Marcelo Veras para isto, que mostrou no vídeo de abertura do nosso último Congresso Brasileiro, em Belo Horizonte, em que nível podemos chegar. As entrevistas que encomendamos a ele sobre os XX anos da EBP, darão testemunho. Aguardem.

No ano que vem, teremos um grande acontecimento para a psicanálise brasileira. O décimo Congresso da Associação Mundial de PsicanáliseO Corpo Falante. Sobre o Inconsciente no Século XXI que  acontecerá no Hotel Sofitel, no Rio de Janeiro, de 25 a 28 de abril de 2016. O Congresso tem site e boletins próprios, mas encontrará um lugar também aqui no DR, onde Rodrigo Lyra Carvalho se encarregará de convidar os membros da EBP a escreverem sobre O Corpo Falante, a partir das ressonâncias que lhes causam os textos publicados no site e boletim do congresso. Será uma conversa dos membros da EBP com os colegas da AMP sobre o tema do Congresso.

Por fim, algumas palavras sobre a nova plataforma digital. Avaliamos que era preciso renová-la. Notebooks, chromebooks, tablets, ipads, smartphones, tudo é texto. E se o DR quisesse circular pela cidade, teria que rodar bem em todos eles e se espalhar com facilidade pelas redes sociais. Pensamos que seria importante uma interface que fosse mais amigável à idéia de um corpo que pode se desmembrar sem se perder. Era preciso que o DR tivesse unidade em seu sítio, mas composto de peças soltas. Que cada imagem e cada texto avulso pudesse navegar à deriva no mar infinito da internet como uma isca, que traz o leitor ao corpo unificado do site, ao toque de clique digital. E também que, ao adentrar o site, o leitor pudesse encontrar ali um pouco mais de calma, um tempo outro. Que ele pudesse ter, digamos, um “momento a sós” com seu o texto escolhido. Pensando nisso, ousamos criar uma interface bem “clean“, nada de muitos links, excesso de informação e outras distrações. Só o texto e nada mais. Que o DR possa ser, a um só tempo, presença na pólis, mas também que possa oferecer um certo refúgio da loucura da cidade na própria tela do smartphone, naquele momento breve, entre uma coisa e outra, em que podemos finalmente desacelerar. Uma espécie de abrigo, como um bom e velho livro. Espero que curtam. Boa leitura!

* Adriano Aguiar /  Membro da EBP/AMP / Rio de Janeiro